quinta-feira, 1 de setembro de 2011

Está sendo desvendado o mistério do núcleo magnético da Terra

Quando Júlio Verne escreveu “Viagem ao Centro da Terra” a mais de 100 anos atrás, ele imaginou um lugar de cristais brilhantes e um mar turbulento, com animais pré-históricos e cogumelos gigantes. O que realmente estava sob nossos pés era um enigma completo. Até hoje os cientistas surpreendentemente sabem mais sobre os anéis de Saturno do que sobre o núcleo do nosso planeta. Mas isso está começando a mudar. "Estamos em uma época de ouro em termos da descoberta real da maior parte do interior da Terra", diz o Sismólogo e Professor Rick Aster. E surpreendentemente, nem tudo que Verne imaginava estava errado.
Querer descobrir a verdade sobre o centro do nosso mundo é um desejo tão básico do ser humano como o de querer saber o que tem na Lua, embora este último revelou-se muito mais fácil de explorar. Mas os cientistas também estão fascinados com o núcleo da Terra, pois ele é responsável pela criação do campo magnético do nosso planeta que é vital para o surgimento da vida. Ele é uma poderosa ferramenta para a navegação, ajuda as abelhas a encontrarem suas colméias, enquanto as tartarugas marinhas, pássaros e borboletas usam-no para migrar sobre enormes distâncias.
Ele também atua como uma barreira protetora entre nós e alguns dos perigos do espaço, protegendo-nos das radiações dos ventos solares.Fisicamente viajar para o núcleo tem se mostrado uma missão impossível, por causa do aumento rápido das pressões e temperaturas. Mesmo com a perfuração remoto, o mais profundo que conseguimos penetrar foi 12 Km - em Superdeep Kola, um furo na Rússia - míseros 0,2% do caminho para o centro da Terra.Mas a sismologia permitiu aos cientistas entrarem diretamente em contato com o núcleo do planeta. As ondas sísmicas geradas durante grandes terremotos viajam de um lado da Terra para o outro, permitindo aos cientistas construir uma imagem do seu interior.

Metal fundido

A Sismologia tem nos auxiliado muito, diz Aster, “mostrando-nos que a Terra tem uma parte derretida, um enorme oceano de metal quente branco derretido que é quase como a água". Este núcleo é tão grande como Marte. Mas - como uma boneca russa - um outro núcleo foi encontrado dentro dele. Uma bola de metal sólido quase do tamanho da Lua. Os cientistas acreditam que o núcleo interno sólido é feita de uma liga de ferro-níquel e que possui a forma atual devido as condições extremas no centro da Terra,o Professor Kei Hirose pôs-se um desafio aparentemente impossível: recriar as condições do núcleo em seu laboratório no síncrotron SPring-8 perto de Osaka, no Japão. Após 10 anos de tentativas, ele finalmente conseguiu.
Ele criou um aparelho-incrivelmente poderoso usando as pontas de dois diamantes. Entre eles uma amostra de ferro-níquel foi submetida a três milhões de vezes a pressão atmosférica e a amostra foi aquecida a cerca de 4.500 C.Sob essas condições extraordinárias, a estrutura de cristal da liga ferro-níquel mudou e os cristais cresceram rapidamente em tamanho. "Podemos ter cristais muito grande no centro da Terra, talvez de até 10 quilômetros", diz Hirose.Estes cristais seriam todos alinhados "como uma floresta", diz Hirose, apontando para os pólos.A maior parte do campo magnético da Terra é gerado no interior, e não no metal fundido do núcleo externo. Isto age como um dínamo eletromagnético maciço alimentado pela rotação da Terra e o arrefecimento de longo prazo do planeta.
Mas, embora o princípio básico seja compreendido, os detalhes de como os movimentos de metal fundido ocorrem são ainda um mistério. Como a Terra gira e perde calor do centro, padrões complexos de fluxo são criados dentro deste vasto oceano. "Você pode pensar que o núcleo seja como a atmosfera da Terra, sendo um lugar muito agitado, com tempestades e frentes de mau tempo", diz o geofísico Professor Dan Lathrop da Universidade de Maryland. Ele construiu um modelo do núcleo para ajudar a explicar algo estranho sobre a sua massa - ela não é fixa, mas sim possui valores constantemente flutuantes. O campo magnético da Terra tem enfraquecido nos últimos 180 anos.
E há um local que está enfraquecendo mais rápido do que qualquer outro. É uma área que os cientistas apelidaram de "South Atlantic Anomaly", que se senta sobre o Atlântico Sul e o centro da América do Sul. É um risco conhecido para as naves espaciais, porque cria um distúrbio no campo magnético, permitindo que partículas carregadas sejam enviadas para dentro das mesmas e prejudiquem os seus aparelhos eletrônicos e instrumentação.


Fonte: http://www.bbc.co.uk

2 comentários:

Jack disse...

Muito interessante!

Paulo Augusto disse...

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