A
bioluminescência não é algo exatamente raro na natureza e vai muito além dos
vaga-lumes. Nas profundezas dos oceanos são vários os animais, de
micro-organismos a peixes grandes, que emitem luzes de todas as cores,
inclusive a vermelha, embora a preferência seja pelo azul. Já nos ambientes
terrestres, a bioluminescência tende para o verde.
A
lanterna vermelha da cabeça das lagartas do gênero Phrixothrix é uma joia
única. Embora difíceis de achar rastejando de noite no mato, essas lagartas são
conhecidas há bastante tempo. Em 1587, o viajante português Gabriel Souza
descreveu o bicho que os índios chamavam de buijejas como lagartas coroadas de
rubis. Mas só nos últimos anos elas começaram a ser estudadas, tanto que há
poucas imagens disponíveis do animal.
As
lanternas das Phrixothrix e dos besouros luminosos funcionam de maneira
parecida. Elas são resultado de uma reação química entre substâncias conhecidas
como luciferinas e oxigênio, que é catalisada pela enzima luciferase. O
resultado é a produção de uma molécula conhecida como oxiluciferina, que nasce
com seus elétrons com energia em excesso. Essa energia é quase toda liberada na
forma de partículas de luz, cuja cor depende principalmente da estrutura
molecular das luciferases, que varia entre as espécies.
As
lagartas trenzinho vivem na Ásia e nas Américas. A característica em comum
entre elas são os 11 pares de lanternas ao longo do corpo, cuja cor varia de
uma espécie para outra entre o verde e o amarelo. Como todas as outras espécies
de besouros, os machos das lagartas trenzinho se transformam em insetos alados,
prontos para o acasalamento. As fêmeas, entretanto, permanecem na forma de
lagartas até o fim da vida. Acredita-se que as lanternas laterais das lagartas
fêmeas sexualmente maduras ajudem a atrair os machos alados. Mas sua principal
função parece ser assustar possíveis predadores. Os pesquisadores especulam
sobre qual é a função da lanterna vermelha na cabeça das Phrixothrix. Como os
olhos das lagartas são mais sensíveis ao vermelho, e suas presas (cupins,
tatus-bola e piolhosde-cobra) não enxergam direito essa cor, alguns biólogos
sugerem que a lanterna seja uma espécie de farol que ilumina o caminho da
lagarta e a ajuda a caçar.