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sexta-feira, 7 de agosto de 2009

Os doze princípios da Química Verde


Criou-se ao longo dos anos um consenso sobre os principais pontos ou princípios básicos da química verde. Os doze pontos que precisam ser considerados quando se pretende implementar a química verde em uma indústria ou instituição de ensino e/ou pesquisa na área de química são os seguintes:
1. Prevenção.
É mais barato evitar a formação de resíduos tóxicos do que tratá-los depois que eles são produzidos;

2.Eficiência Atômica.
As metodologias sintéticas devem ser desenvolvidas de modo a incorporar o maior número possível de átomos dos reagentes no produto final;

3.Síntese Segura.
Deve-se desenvolver metodologias sintéticas que utilizam e geram substâncias com pouca ou nenhuma toxicidade à saúde humana e ao ambiente;

4.Desenvolvimento de Produtos Seguros.
Deve-se buscar o desenvolvimento de produtos que após realizarem a função desejada, não causem danos ao ambiente;

5. Uso de Solventes e Auxiliares Seguros.
A utilização de substâncias auxiliares como solventes, agentes de purificação e secantes precisa se evitada ao máximo; quando inevitável a sua utilização, estas substâncias devem ser inócuas ou facilmente reutilizadas;

6.Busca pela Eficiência de Energia.
Os impactos ambientais e econômicos causados pela geração da energia utilizada em um processo químico precisam ser considerados. É necessário o desenvolvimento de processos que ocorram à temperatura e pressão ambientes;

7. Uso de Fontes de Matéria-Prima Renováveis.
O uso de biomassa como matéria-prima deve ser priorizado no desenvolvimento de novas tecnologias e processos;

8.Evitar a Formação de Derivados.
Processos que envolvem intermediários com grupos bloqueadores, proteção/desproteção, ou qualquer modificação temporária da molécula por processos físicos e/ou químicos devem ser evitados;

9. Catálise.
O uso de catalisadores (tão seletivos quanto possível) deve ser escolhido em substituição aos reagentes estequiométricos;

10.Produtos Degradáveis.
Os produtos químicos precisam ser projetados para a biocompatibilidade. Após sua utilização não deve permanecer no ambiente, degradando-se em produtos inócuos;

11.Análise em Tempo Real para a Prevenção da Poluição.
O monitoramento e controle em tempo real, dentro do processo, deverá ser viabilizado. A possibilidade de formação de substâncias tóxicas deverá ser detectada antes de sua geração;

12. Química Intrinsecamente Segura para a Prevenção de Acidentes.
A escolha das substâncias, bem como sua utilização em um processo químico, devem procurar a minimização do risco de acidentes, como vazamentos, incêndios e explosões
.

Desta maneira, ao se procurar tecnologias que empregam a química verde, deve-se estar atento a três pontos principais:

O uso de rotas sintéticas alternativas para a química verde, tais como:
-Catálise e biocatálise;
-Processos neutros, tais como fotoquímica e síntese biomimética;
-Matérias-primas alternativas, que sejam mais inócuas e renováveis (biomassa, por exemplo).

O uso de condições reacionais alternativas para a química verde, tais como:
-Uso de solventes que tenham um impacto reduzido na saúde humana e no ambiente;
-Aumento da seletividade e redução de resíduos e emissões.

O desenvolvimento de produtos químicos que sejam, por exemplo:

-Menos tóxicos que as alternativas atuais;
-Mais seguros com relação à ocorrência de um possível acidente.

Entre os itens citados acima, a maior parte se aplica especialmente à produção industrial. Entretanto, vários pesquisadores vêm buscando a adaptação das premissas da Química Verde ao ensino e pesquisa em química a nível acadêmico. Um químico treinado e formado desta maneira terá um impacto significante na solução de problemas relacionados ao ambiente.

quinta-feira, 6 de agosto de 2009

Química Verde


A química verde (ou green chemistry, ou química sustentável) foi introduzida há cerca de dez anos nos EUA pela EPA (Environmental Protection Agency), a agência de proteção ambiental daquele país, em colaboração com a American Chemical Society (ACS) e o Green Chemistry Institute. Esta iniciativa norte-americana vem despertando o interesse de organizações governamentais e não-governamentais de vários países. Na Europa, Japão e Estados Unidos foram inclusive criados Prêmios para incentivar pesquisadores de Indústrias e Universidades a desenvolverem tecnologias empregando os princípios da química verde. Desde 1996, quando o Presidential Green Chemistry Awards foi criado nos EUA, mais de uma dezena de Corporações e Investigadores foram premiados.
Na Europa, a Royal Society of Chemistry (RSC), com o apoio de setores industriais e governamentais, instituiu em 2001 o U.K. Green Chemistry Awards, para premiar empresas e jovens pesquisadores que "desenvolverem processos químicos, produtos e serviços que levem a um ambiente mais sustentável, limpo e saudável". Além disso, a RSC criou a Green Chemistry Network (GCN), com o objetivo de "promover a conscientização e facilitar a educação, treinamento e prática da green chemistry na indústria, academia e escolas". Outra importante iniciativa da RSC foi a criação, em 1999, da revista Green Chemistry, de periodicidade bimestral, dedicada à publicação de artigos inéditos que, de alguma forma contribuem para o desenvolvimento da área-título do periódico.
A química verde pode ser definida como a utilização de técnicas químicas e metodologias que reduzem ou eliminam o uso de solventes e reagentes ou geração de produtos e sub-produtos tóxicos, que são nocivos à saúde humana ou ao ambiente. Este conceito, não é novidade em aplicações industriais, principalmente em países com controle rigoroso na emissão de poluentes. Ao longo dos anos os princípios da química verde têm sido inseridos no meio acadêmico, em atividades de ensino e pesquisa.

O que hoje está sendo chamado de química verde na verdade não apresenta nada de novo, uma vez que a busca um desenvolvimento auto-sustentável há anos está incorporada nos ideais do homem moderno. A ECO-92, o Protocolo de Kyoto e a Rio+10 são exemplos de iniciativas que mostram a crescente preocupação mundial com as questões ambientais.A química verde pode ser encarada como a associação do desenvolvimento da química à busca da auto-sustentabilidade.