sábado, 29 de agosto de 2009

O consumo e o meio ambiente


A ocorrência da Revolução do Consumo teve implicações em diferentes atividades sociais. Por seu intermédio, surgiram novas profissões (publicitários, designers, estilistas); a classe média usufruiu maiores posições de status; o espaço urbano adquiriu novas edificações (shopping centers); e o sistema financeiro teve que desenvolver práticas de financiamento antes inexistentes (leasing).
Efeitos consideráveis da propagação do consumo no mundo moderno foram sentidos também em termos ambientais. A massificação de objetos como automóveis, detergentes, plásticos e eletrodomésticos ocasionou a saturação e degradação de diversos ecossistemas em diferentes regiões do planeta.
O fenômeno da afluência nos anos 40 e 50, nos EUA e na Europa Ocidental, foi um evento revolucionário, pois de forma inédita permitiu a grandes contingentes populacionais aumentarem rapidamente seu padrão de vida e ingressarem na esfera de consumo. Para garantir essa afluência, e expandir esse direito ao consumo a elites de países periféricos, foi necessário negligenciar os limites físicos da biosfera.
Questões da física, como a problemática da entropia e o input de recursos, foram trazidas para as Ciências Sociais de forma a discutir o comprometimento de recursos naturais e a elevação das emissões de resíduos para manutenção dos níveis de consumo.
Em países como os EUA, em um período de 50 anos, quadruplicou–se a emissão de resíduos advindos da utilização de combustíveis fósseis. O consumo de energia elétrica teve um salto considerável no século XX, solicitando a exploração intensiva de novas fontes de energia, muitas não–renováveis e perigosas.
Desde a década de 60, a problemática do crescimento populacional e da poluição industrial dominava a discussão sobre o capitalismo e a preservação ambiental. Enquanto os neomalthusianos apontavam o crescimento vegetativo dos países do Sul como causa da utilização intensiva de recursos, expoentes do pensamento marxista culpavam principalmente o industrialismo pela obsolescência programada das mercadorias e aumento da emissão de resíduos.
No início dos anos 1990, ocorreu uma importante alteração nos rumos do debate ambiental internacional. Durante a preparação da Conferência da Rio–92, o tema dos efeitos do consumo dos países afluentes passou a ser inserido como fator de degradação ambiental, causando inicialmente controvérsias entre os atores envolvidos.
Ao longo dos anos 1990, o reconhecimento do consumo ocidental como fator de degradação cresceu continuamente, interferindo na formulação de políticas ambientais e industriais com a adoção de eco–taxas e eco–rotulagens, entre outras iniciativas.
Surge, nesse momento, a preocupação com a formação do consumidor verde, que seria um agente atuante na definição do processo produtivo e na utilização dos recursos naturais. Dentro dessa discussão sobre o consumo ambientalmente responsável, emerge a problemática do comportamento individual como variável essencial nos rumos da sustentabilidade.
É extremamente importante a busca de novos estilos de vida e a atenção à sustentabilidade ambiental.A capacidade de ação e a escolha dos consumidores,a atuação de grandes setores produtivos e de comercialização e que possibilitarão o surgimento de uma sustentabilidade ambiental real.

Fonte: Ambient. soc. v.10 n.1 Campinas jan./jun. 2007

Um comentário:

seuluiz disse...

Excelente artigo. Talvez o consumidor verde seja a salvação do planeta. Tomara que a cada dia mais pessoas se tornem consumidor verde.

Abraços

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