domingo, 4 de setembro de 2011

Encontrada dupla inédita de superburacos negros

Os astrônomos da agência espacial norte-americana Nasa localizaram, pela primeira vez, um par de buracos negros que se encontra numa galáxia espiral semelhante à Via Láctea. A dupla encontra-se no centro da NGC 3393, que fica a aproximadamente 160 milhões de anos-luz da Terra. Segundo os especialistas, parecem ser restos de uma fusão de duas galáxias de massa diferente e estão agora separados por 490 anos-luz – considerado pouco tempo em termos espaciais. Observações anteriores já tinham fornecido indícios de que haveria um superburaco negro na NGC 3393, mas só agora conseguiram confirmar que existiam dois.
"Colisões e fusões são um dos principais meios para que galáxias e buracos negros se formem", comentou o co-autor do estudo, o italiano Guido Risaliti, do CfA (Centro Harvard-Smithsonian de Astrofísica) e do Instituto Nacional para Astrofísica, na Itália. "Encontrar um par de buracos negros numa galáxia espiral é uma pista importante para entendermos como ocorrem esses fenômenos". A descoberta foi feita através do Observatório Chandra de Raios-X que, independentemente da quantidade de gás e poeira que estão ao redor dos superburacos negros permite maior visualização do espaço. A pesquisa será tratada na edição online da revista «Nature» desta semana.


Fonte: http://www.cienciahoje.pt/

sábado, 3 de setembro de 2011

Camarão de ferradura, um dos "fósseis vivos" mais antigos do planeta (300 milhões de anos)

O Triops cancriformis, ou camarão de ferradura (não deve ser confundido com o caranguejo-ferradura), é uma espécie ameaçada de camarão encontrado na Europa. A espécie é considerada ameaçada no Reino Unido e em muitos outros países europeus. Em cativeiro eles geralmente crescem até 6 centímetros , no entanto, na natureza eles podem atingir tamanhos de 11 cm.A população do Reino Unido de camarões ferradura está limitada a dois locais: Wetlands Caerlaverock na Escócia, e uma lagoa em New Forest. Esta espécie é considerada uma das espécies mais antigas de vida no planeta com cerca de 300 milhões de anos. Fósseis desta espécie foram encontrados no período Triássico Superior (Norian) e parecem praticamente inalterados em relação a membros modernos da espécie.
Desde que a vida começou na Terra, a biodiversidade tem sido várias vezes devastada em eventos de extinção em massa. Os camarões ferradura, têm sobrevivido pelo menos a três ondas de extinções devastadoras mantendo um notável e estável modo de vida, com a mesma forma de corpo. Fósseis destes animais de mais de 300 milhões de anos, são idênticas às espécies vivas hoje, então eles são considerados um dos "fósseis vivos" mais antigos.O camarão ferradura é realmente um sobrevivente extremo, ele sobreviveu aos dinossauros e mamutes, para citar apenas algumas bem conhecidas criaturas que em algum momento co-existiam com ele, todos se extinguiram e ele permaneceu com sua forma inalterada.
Há alguns anos, um estudante alemão entusiasmado, Thorid Zierold, realizou estudos no laboratório da Universidade de Hull para realizar uma pesquisa genética sobre o camarão ferradura. Esta foi uma grande oportunidade para lançar alguma luz sobre o mistério: como é que estes organismos conseguiram o feito extraordinário de resistência? Será que eles têm algo especial, um "kit de sobrevivência" ou têm apenas muita sorte?As dezenas de espécies deste camarão vivem em lagoas sazonais, de água doce, em regiões temperadas, desertos e até mesmo no Ártico, e são comumente encontrados em grandes números. A característica mais imediata que aparece para ajudar a sobrevivência deste animal é que eles produzem ovos que são extremamente resistentes a condições hostis. Estes ovos resistentes suportam dessecação; temperaturas extremamente altas, até ao ponto de ebulição, o congelamento, e mesmo enzimas digestivas - isso permite que os ovos sobrevivam quando os adultos que os carregam são comidos por pássaros.
Estes ovos também são latentes, ou seja, eles não chocam imediatamente, apenas quando estiverem em condições favoráveis e podem sobreviver em um estado de "animação suspensa" durante anos, possivelmente até mesmo vários séculos. Eles podem acumular-se nos sedimentos da lagoa formando "bancos de ovos" e isso permite que as populações persistam ao longo dos períodos adversos. Além disso, os ovos podem se dispersar entre lagoas nos pés das aves ou em cascos de animais.
Suas populações podem 'desaparecer', dando a impressão de extinção, apenas para reaparecer de repente. Outra pista interessante para as suas capacidades de sobrevivência poderia estar em seu modo de reprodução. Apesar de seu extremo conservadorismo na forma do corpo, eles mostram diversos modos reprodutivos, incluindo machos e fêmeos em separado, hermafroditismo (indivíduos com testículos e ovários), e androdioecy. Primeiramente descrita por Charles Darwin, androdioecy é um modo extremamente raro para a reprodução, em que as populações são feitas de hermafroditas e proporções variáveis de machos.


Fonte: http://planetearth.nerc.ac.uk

sexta-feira, 2 de setembro de 2011

Cientistas criam aliens, mas não é preciso entrar em pânico!!

Um grupo internacional de cientistas criou uma bactéria, cujo DNA contém substâncias que não existem na Terra. O monstro sintético, que é absolutamente seguro para a nossa biosfera, foi criado a partir de bactérias Escherichia coli comuns.Os biólogos dizem que a tecnologia usada no experimento pode ajudar a modelar os seres humanos e recriar os organismos extraterrestres.O grupo de biólogos moleculares da Alemanha, França, Bélgica e EUA criaram as bactérias que contém uma substância inexistente. Esta substância nunca foi descoberta tanto no planeta Terra ou no espaço. Este é um composto sintético que ficou conhecido como 5-chlorouracil.
Não é segredo que o DNA de todas as criaturas terrestres inclui quatro bases nitrogenadas (nucleotídeos): adenina, guanina, citosina e timina. Estes compostos formam a parte funcional da molécula conhecida como o código genético. Certos aminoácidos - as bases da proteína - correspondem a três bases nitrogenadas. Assim, a sucessão da construção de toda a proteína é gravada no DNA como uma cadeia, em que as combinações de três nucleotídeos são alternadas.
Os cientistas decidiram criar as bactérias, substituindo uma das bases nitrogenadas, a timina. O experimento foi conduzido em uma E. coli - uma bactéria conhecida por todos. Este microorganismo tem as cepas, cujos representantes não são capazes de sintetizar timina de forma independente. Elas têm que receber o composto a partir do exterior. Os pesquisadores decidiram enganar as bactérias e implantar um análogo sintético deste nucleotídeo - o acima mencionado 5 chlorouracil.
Altas concentrações deste composto são tóxicas para as bactérias. Os biólogos tiveram que agir de forma gradual para dar as bactérias à oportunidade de se acostumar com o veneno. No início, eles foram acrescentando colônias na mistura em que ambos timina e 5 chlorouracil estavam presentes em concentrações moderadas. Isso contribuiu para a seleção acelerada: apenas os organismos mais fortes poderiam sobreviver. Depois, os "sobreviventes" foram transferidos para um ambiente diferente, com um maior teor de 5 chlorouracil e um menor teor de timina, etc Como resultado, os cientistas fizeram com que as células não precisassem mais de timina. A timina foi totalmente substituída pelo análogo da substância. Aconteceu em mil gerações de bactérias após o início do experimento.
Estas bactérias se dividiram normalmente. A substituição de um nucleotídeo não afetou a capacidade de duplicação do DNA. Todas as proteínas, que as bactérias precisam, foram sintetizadas, normalmente, o que significa que a mudança não afetou a vida normal das bactérias.Descobriu-se, porém, que as "extraterrestres" não foram capazes de transferir pedaços de sua parte "incorreta" a outros DNAs de bactérias normais. Portanto, mesmo se as criaturas escaparem do laboratório, elas não serão capazes de mudar os genomas de microorganismos normais. Elas não serão capazes de viver fora do laboratório, porque o 5 chlorouracil não pode ser encontrado no mundo natural.
Os pesquisadores descobriram que o DNA original de E. coli também sofreu mudanças significativas. Os cientistas contaram várias centenas de mutações no DNA. As mutações tornaram-se necessário para o novo organismo se adaptar à vida em um ambiente pouco convencional. Todas essas mutações são extremamente importantes para as bactérias. Se qualquer parte da mutação do DNA recupera a forma original, a bactéria morre instantaneamente.
Qual é o valor prático desta experiência?Segundo os cientistas ele é enorme, os microorganismos, cuja existência depende da substância que não existe na natureza, podem ser usados para a produção de medicamentos de bioetanol, e outros compostos químicos. E mais ainda, os seres humanos serão capazes de controlar a atividade desses compostos. Além disso, a tecnologia dá uma oportunidade para construir organismos extraterrestres. Desta forma poderá se descobrir quais compostos orgânicos existem em um determinado planeta que esteja sendo explorado. Posteriormente, será possível tomar uma bactéria comum e implantar esses compostos em sua molécula. Observando as bactérias modificadas terrestres, os cientistas serão capazes de descrever os processos biológicos que poderiam ocorrer nos organismos de criaturas extraterrestres (se elas existirem, é claro).


Fonte: http://english.pravda.ru

quinta-feira, 1 de setembro de 2011

Está sendo desvendado o mistério do núcleo magnético da Terra

Quando Júlio Verne escreveu “Viagem ao Centro da Terra” a mais de 100 anos atrás, ele imaginou um lugar de cristais brilhantes e um mar turbulento, com animais pré-históricos e cogumelos gigantes. O que realmente estava sob nossos pés era um enigma completo. Até hoje os cientistas surpreendentemente sabem mais sobre os anéis de Saturno do que sobre o núcleo do nosso planeta. Mas isso está começando a mudar. "Estamos em uma época de ouro em termos da descoberta real da maior parte do interior da Terra", diz o Sismólogo e Professor Rick Aster. E surpreendentemente, nem tudo que Verne imaginava estava errado.
Querer descobrir a verdade sobre o centro do nosso mundo é um desejo tão básico do ser humano como o de querer saber o que tem na Lua, embora este último revelou-se muito mais fácil de explorar. Mas os cientistas também estão fascinados com o núcleo da Terra, pois ele é responsável pela criação do campo magnético do nosso planeta que é vital para o surgimento da vida. Ele é uma poderosa ferramenta para a navegação, ajuda as abelhas a encontrarem suas colméias, enquanto as tartarugas marinhas, pássaros e borboletas usam-no para migrar sobre enormes distâncias.
Ele também atua como uma barreira protetora entre nós e alguns dos perigos do espaço, protegendo-nos das radiações dos ventos solares.Fisicamente viajar para o núcleo tem se mostrado uma missão impossível, por causa do aumento rápido das pressões e temperaturas. Mesmo com a perfuração remoto, o mais profundo que conseguimos penetrar foi 12 Km - em Superdeep Kola, um furo na Rússia - míseros 0,2% do caminho para o centro da Terra.Mas a sismologia permitiu aos cientistas entrarem diretamente em contato com o núcleo do planeta. As ondas sísmicas geradas durante grandes terremotos viajam de um lado da Terra para o outro, permitindo aos cientistas construir uma imagem do seu interior.

Metal fundido

A Sismologia tem nos auxiliado muito, diz Aster, “mostrando-nos que a Terra tem uma parte derretida, um enorme oceano de metal quente branco derretido que é quase como a água". Este núcleo é tão grande como Marte. Mas - como uma boneca russa - um outro núcleo foi encontrado dentro dele. Uma bola de metal sólido quase do tamanho da Lua. Os cientistas acreditam que o núcleo interno sólido é feita de uma liga de ferro-níquel e que possui a forma atual devido as condições extremas no centro da Terra,o Professor Kei Hirose pôs-se um desafio aparentemente impossível: recriar as condições do núcleo em seu laboratório no síncrotron SPring-8 perto de Osaka, no Japão. Após 10 anos de tentativas, ele finalmente conseguiu.
Ele criou um aparelho-incrivelmente poderoso usando as pontas de dois diamantes. Entre eles uma amostra de ferro-níquel foi submetida a três milhões de vezes a pressão atmosférica e a amostra foi aquecida a cerca de 4.500 C.Sob essas condições extraordinárias, a estrutura de cristal da liga ferro-níquel mudou e os cristais cresceram rapidamente em tamanho. "Podemos ter cristais muito grande no centro da Terra, talvez de até 10 quilômetros", diz Hirose.Estes cristais seriam todos alinhados "como uma floresta", diz Hirose, apontando para os pólos.A maior parte do campo magnético da Terra é gerado no interior, e não no metal fundido do núcleo externo. Isto age como um dínamo eletromagnético maciço alimentado pela rotação da Terra e o arrefecimento de longo prazo do planeta.
Mas, embora o princípio básico seja compreendido, os detalhes de como os movimentos de metal fundido ocorrem são ainda um mistério. Como a Terra gira e perde calor do centro, padrões complexos de fluxo são criados dentro deste vasto oceano. "Você pode pensar que o núcleo seja como a atmosfera da Terra, sendo um lugar muito agitado, com tempestades e frentes de mau tempo", diz o geofísico Professor Dan Lathrop da Universidade de Maryland. Ele construiu um modelo do núcleo para ajudar a explicar algo estranho sobre a sua massa - ela não é fixa, mas sim possui valores constantemente flutuantes. O campo magnético da Terra tem enfraquecido nos últimos 180 anos.
E há um local que está enfraquecendo mais rápido do que qualquer outro. É uma área que os cientistas apelidaram de "South Atlantic Anomaly", que se senta sobre o Atlântico Sul e o centro da América do Sul. É um risco conhecido para as naves espaciais, porque cria um distúrbio no campo magnético, permitindo que partículas carregadas sejam enviadas para dentro das mesmas e prejudiquem os seus aparelhos eletrônicos e instrumentação.


Fonte: http://www.bbc.co.uk