terça-feira, 30 de dezembro de 2008

Alimentos processados podem estimular câncer de pulmão


Substâncias adicionadas a alimentos conhecidas como fosfatos podem estimular o crescimento do câncer de pulmão, pelo menos em camundongos, disseram cientistas sul-coreanos nesta segunda-feira (29).Experimentos em camundongos sugerem que os aditivos - encontrados em refrigerantes, carnes processadas e queijos - podem também ajudar na formação inicial do câncer de pulmão."Nosso estudo indica que a o consumo de fosfatos inorgânicos estimula fortemente o desenvolvimento do câncer de pulmão em camundongos", disse Myung-Haing Cho, da Universidade Nacional de Seul, que chefiou o estudo.Uma dieta rica em fosfatos "aumentou significativamente as lesões de câncer de pulmão, como também seu tamanho", escreveu Cho no estudo.Cho disse que a pesquisa indica que a redução do consumo de fosfatos "pode ser crucial para o tratamento e prevenção do câncer de pulmão."Os fosfatos são importantes na nutrição humana e podem ser usados em compostos que enriquecem o conteúdo de ferro e cálcio, além de impedirem que os alimentos sequem.Mas Cho disse que é possível que algumas pessoas estejam consumindo fosfatos em excesso."Nos anos 1990, os aditivos alimentares que continham fosfatos contribuíam com estimados 470 miligramas ao dia na dieta do adulto médio", disse ele.Agora, as pessoas chegam a consumir 1.000 miligramas por dia, segundo ele.Em artigo no periódico científico American Journal of Respiratory and Critical Care Medicine, Cho e seus colegas dizem que os camundongos foram criados para desenvolver câncer de pulmão. Durante um mês, metade foi alimentada com uma dieta rica em fosfatos, equivalente à dieta humana, enquanto a outra metade recebeu uma dose moderada.Os cientistas frisaram que seu estudo não mostra que os aditivos alimentares contribuem para o câncer em seres humanos, mas aponta para áreas de pesquisa no câncer humano.O câncer de pulmão é o tipo que mais mata em todo o mundo, com 1,2 milhão de vítimas fatais ao ano. O cigarro é sua principal causa, mas uma grande quantidade dos fumantes não desenvolve câncer de pulmão, então cientistas estão buscando outros fatores que podem ajudar os tumores a se desenvolverem e espalharem.

Fonte: Estadão Online

segunda-feira, 29 de dezembro de 2008

Mudanças climáticas serão acompanhadas com radares de laser

O projeto KyaTera tem auxiliado uma ciência cada vez mais solicitada nos dias de hoje, a climatologia.

Radares de laser

Kyatera é o nome de uma plataforma óptica de ensino e pesquisa que liga universidades, laboratórios e empresas com velocidade de transferência de dados centenas de vezes maior do que a da internet convencional.Agora ela será utilizada também para a conexão e a troca de informações entre radares de laser que analisam a atmosfera, bem como para a sua operação remota.Um equipamento com esse objetivo está para entrar em operação no Centro de Previsão do Tempo e Estudos Climáticos (Cptec) do Inpe, em Cachoeira Paulista (SP). Por meio da rede KyaTera, ele trocará informações com o sistema Lidar (sigla para Light Detection and Ranging ou Detecção e Direcionamento de Luz).

Detector de mudanças climáticas

O Lidar, um laser capaz de medir em tempo real a poluição atmosférica, foi desenvolvido pela equipe do físico Eduardo Landulfo no Instituto de Pesquisas Energéticas e Nucleares (Ipen) e está em operação desde 2001 no campus da instituição, na capital paulista. Os pesquisadores estão atualmente trabalhando em sistemas de automatização do equipamento. "Um detector de mudanças climáticas deverá fechar o teto retrátil que protege o radar antes da chegada de uma chuva", disse Landulfo.

Monitores ambientais

Porém, a maior contribuição que a KyaTera dará ao projeto não está na automação. A rede deverá servir de plataforma de comunicação para uma rede de monitores ambientais. "Um só ponto de medida não adianta. Planejamos ter outros quatro radares em outras instituições para trabalhar em conjunto com o do Ipen", disse Landulfo durante o Workshop KyaTera 2008, realizado no último dia 29 na Universidade Estadual de Campinas.Entre os focos de pesquisa que poderiam entrar na pauta de estudos da rede de radares laser estão as queimadas da cana-de-açúcar, comuns no interior de São Paulo, e o auxílio do monitoramento da bacia do rio Corumbataí, também no interior do estado.

Mapa atmosférico

A rede deverá ajudar a delinear um mapa atmosférico mais detalhado e preciso de algumas regiões paulistas e possibilitar a atualização em tempo real das informações coletadas por cada um, o que pode ser feito em intervalos de dois minutos.

Funcionamento do radar a laser

O princípio de funcionamento do equipamento é similar ao dos radares tradicionais. O Lidar emite um facho de laser na atmosfera e depois recebe o seu reflexo por meio de uma técnica chamada de retroespelhamento.Com a análise da luz refletida é possível identificar partículas suspensas, aerossóis e alguns gases em suspensão, especialmente útil na análise da determinação da poluição atmosférica de uma região. O alcance do Lidar é de 10 quilômetros de altitude e cada leitura corresponde a um intervalo de 15 metros. "A cada ano temos aprimorado o radar e ampliado as suas aplicações", disse Landulfo.

sábado, 27 de dezembro de 2008

A lua como fonte geradora de energia elétrica


A atração gravitacional da Lua sobre os corpos aquáticos cria marés. Esse movimento, por sua vez, cria energia cinética na água. Tudo que se movimenta tem energia cinética - quer se trate do vento ou de uma bola rolando. A energia cinética pode ser capturada pelos seres humanos por meio de moinhos de vento. Os pesquisadores estão tentando explorar a energia das marés utilizando um esquema semelhante ao usado nos moinhos de vento. Turbinas subaquáticas (ou de maré) são um conceito bastante simples. Trata-se essencialmente de moinhos de vento instalados no fundo do mar ou em um leito de rio. A corrente subaquática produzida pelas marés faz com que girem lâminas dispostas como as hélices de um avião. As turbinas estão conectadas a uma caixa de engrenagens, por sua vez conectada a um gerador elétrico. Ele produz a eletricidade, que um cabo elétrico transporta a para terra. Quando esse cabo é conectado à rede elétrica, a eletricidade gerada no mar pode ser distribuída.Ainda que turbinas subaquáticas sejam essencialmente o mesmo que moinhos de vento, elas têm alguma vantagem sobre os moinhos, que requerem terrenos, especialmente as fazendas eólicas - conjuntos de dezenas ou centenas de moinhos de vento. O futuro do uso da terra (a maneira como a terra é desenvolvida e como ela é usada) está se tornando um importante tópico de discussão. Com seis bilhões de pessoas no planeta (um número que não pára de crescer), espaço vale muito - e não só para habitação, mas para plantio e muito mais. As turbinas subaquáticas contornam esse problema.Outra vantagem da captura da energia subaquática vem da alta densidade da água. A água é mais densa que o ar, o que significa que a mesma quantidade de energia pode ser produzida por uma turbina subaquática e um moinho de vento, mas requerendo menor velocidade e menos área. Além disso, embora a quantidade de vento que passa por qualquer área determinada de terra possa ser imprevisível, a energia cinética das áreas de maré é confiável. Tanto a maré alta quanto a baixa são tão previsíveis que uma determinada região de maré pode ser expressa em forma de kilowatts-hora de eletricidade que ela seria capaz de produzir por turbina. Os cientistas vêm examinando a quantidade de energia encontrada em uma área de maré em intervalos mensais. Existem duas medições principais: a velocidade média de pico é a mais alta velocidade de movimento de maré que pode ser constatada na área em um único mês. O ciclo médio de pico é o menor ponto de velocidade que uma área de maré experimenta em um mês Essas duas medidas podem ajudar a aproximar as maiores e menores velocidades encontradas em qualquer área de maré ao longo de um mês. Além das marés, existem outras características que afetam a velocidade da água. O terreno circundante (por exemplo, se a área for rochosa ou arenosa) determina de que maneira a água se move. Se uma área de maré é estreita ou larga, isso pode afetar a velocidade. Um canal estreito pode concentrar o movimento da água e acelerá-lo. O movimento das marés e as características dos corpos aquáticos podem ser levados em conta no papel, mas só quando testes práticos são realizados a compreensão real do impacto das turbinas de maré pode surgir.

sexta-feira, 26 de dezembro de 2008

Etanol de segunda geração é essencial à sustentabilidade dos biocombustíveis


O etanol de segunda geração, produzido a partir da celulose, presente nos resíduos da cana-de-açúcar e em outras matérias-primas vegetais, é uma alternativa fundamental aos cerca de cem países capazes de produzir o combustível renovável e que desejam fazê-lo sem prejudicar a produção de alimentos.O cenário foi destacado por Christoph Berg, diretor geral da F.O. Licht, consultoria alemã do mercado de commodities durante a sessão plenária que abordou o tema da segurança energética na Conferência Internacional sobre Biocombustíveis, que reuniu delegações de 92 países em São Paulo para a discussão dos desafios e oportunidades dos biocombustíveis.
"Do ponto de vista da oferta, as tecnologias de primeira geração deverão garantir um crescimento relativamente constante no mercado do etanol até 2018. A partir daí, os produtores mundiais precisarão de tecnologias da geração seguinte. Caso contrário, teremos o limite da oferta em relação à competição entre o uso da terra para a geração de energia e a produção de alimentos", alertou.

Participação do etanol no mercado de combustíveis

Berg, que é membro do Grupo Consultivo sobre Biocombustíveis da Comissão Européia, apontou que o etanol, nesse período de tempo, tem capacidade de atingir uma participação no mercado global de combustíveis de até 10%, considerando a estrutura tecnológica atual."Uma participação de mercado maior do que essa só seria alcançada com o domínio das tecnologias do etanol de segunda geração, que poderão prover os necessários metros cúbicos extras do biocombustível por hectare", afirmou.

Etanol da biomassa

O etanol de segunda geração, uma alternativa para o uso energético da biomassa, pode ser obtido a partir da tecnologia de lignocelulose, que utiliza o bagaço e a palha da cana com vantagens ambientais e econômicas.Calcula-se que esses compostos orgânicos, hoje praticamente sem valor comercial, correspondem a cerca de 50% da biomassa terrestre. A produção de etanol da lignocelulose extraída desses materiais é feita com tecnologias ainda em fase de aperfeiçoamento. A transformação pode ser feita com uso de ácidos (hidrólise ácida) ou de enzimas (hidrólise enzimática).

Insustentabilidade dos combustíveis fósseis

O diretor executivo da Agência Internacional de Energia (AIE), Richard Jones, divulgou dados do relatório anual da entidade sobre o estado atual da economia de energia mundial e as possibilidades para o futuro. Segundo ele, a tendência atual de uso dos combustíveis fósseis é "insustentável" tanto do ponto de vista ambiental como do econômico e social."A má notícia do relatório é que a utilização mundial de gás, carvão e petróleo continuará aumentando, assim como as emissões de gases de efeito estufa provenientes desses combustíveis. O resultado poderá levar a um aumento na temperatura global de cerca de 6ºC nas próximas décadas", disse o diplomata norte-americano, que foi embaixador dos Estados Unidos em Israel, Kuait, Cazaquistão e Líbano.

Corte nas emissões

Esse crescimento do uso e das emissões pode ser evitado, na opinião de Jones, por meio de um esforço conjunto mundial que busque uma economia baseada na diversificação das fontes de energia, melhorando não apenas a eficiência das já existentes como também criando tecnologias novas, especialmente no setor dos biocombustíveis, devido à sua representatividade crescente nos transportes."Estima-se que a utilização dos biocombustíveis no setor de transportes cresçerá dos atuais 1,5% para cerca de 8% em 2030. A previsão para 2050 é de 26% de participação. Sabemos que o potencial de crescimento dos biocombustíveis é ainda maior e as pesquisas brasileiras com o etanol de cana-de-açúcar têm mostrado isso", destacou.O petróleo responde por cerca de 99% do consumo de energia pransporte rodoviário no mundo e, segundo projeções da Agência Internacional de Energia, a demanda energética nesse setor poderá crescer até 38% nos próximos 20 anos.

Alternativas energéticas

O especialista em bioenergia do Imperial College London, Richard Murphy, falou sobre um importante caminho a ser trilhado se o destino final é ter um futuro seguro do ponto de vista energético em nível global. "Primeiro, os países precisam ter certeza de que os biocombustíveis produzidos irão de fato mitigar as emissões dos gases de efeito estufa, de modo a estancar as alterações climáticas", alertou."Há várias formas corretas de garantir isso, como o investimento em pesquisa e desenvolvimento e a criação de políticas públicas que permitam a drástica diminuição de gases estufa em comparação aos combustíveis fósseis", disse.Murphy ressalta que o Reino Unido não tem capacidade instalada para cultivar toda a biomassa necessária para garantir o desenvolvimento limpo da frota de veículos do país."Vamos depender muito do restante do mundo para a compra de biocombustíveis. Gostaríamos de ser parceiros de outros países no desenvolvimento de alternativas energéticas", disse o também membro do grupo de trabalho do Plano de Pesquisa sobre Bioenergia do Reino Unido.

quinta-feira, 25 de dezembro de 2008

Comunidades sustentáveis

Serenbe

As comunidades sustentáveis geralmente buscam minimizar o lixo, reduzir o consumo e preservar o espaço aberto. Idealmente, elas não utilizam recursos mais rapidamente do que eles podem ser repostos, e elas não produzem desperdício mais rápido do que ele pode ser re-assimilado no ambiente. Com certeza algumas comunidades são mais radicais que outras (algumas levam vidas totalmente desconectadas dos serviços públicos e evitam o uso do dinheiro emitido pelo governo), mas os princípios básicos são semelhantes.
­Projetar o bairro de forma a encorajar caminhadas ou o uso de bicicletas é uma das formas das comunidades sustentáveis colocarem esses dois primeiros princípios em prática. Menos pilotagem significa menos gasolina e emissões reduzidas. Muitos eco-vilarejos também possuem espaço para trabalho em casa ou encorajam as pessoas a trabalharem em casa. Elas também podem lotear uma parte do projeto para uso comercial, tornando a comunidade um ambiente auto-suficiente, no qual os residentes não precisam nem mesmo sair para fazer compras ou se divertirem. Este projeto é denominado, às vezes, como um estilo de vida viver-trabalhar-brincar.
O uso de técnicas de construção sustentável é outro componente das comunidades sustentáveis. Aqui estão alguns exemplos:
· Arquitetos projetam prédios para tirar vantagem das capacidades de iluminação e aquecimento do sol'.
· Eles instalam sistemas de economia de energia.
· Eles tentam usar fontes locais de materiais tanto quanto possível para eliminar os custos ambientais do transporte.
· Eles constroem com materiais duráveis e atóxicos que tenham sido reciclados ou colhidos de forma sustentável.
Você pode ver casas de fardos de palha ,que essencialmente usam fardos de palha como blocos estruturais; casas de massa, que são uma mistura de palha, barro e areia, ou casas de sacos de terra, que são exatamente o que o nome faz parecer: casas feitas de sacos cheios de terra.
Além das técnicas de construção verdes, as comunidades sustentáveis apóiam-se em métodos de jardinagem verde.Eles criam paisagens com plantas nativas e tolerantes à seca, que são criadas organicamente para reduzir o uso de água e manter os pesticidas e herbicidas longe do ambiente. Alguns povoados, como Serenbe, também mantêm jardins vegetais orgânicos que podem ser dimensionados para garantir uma fonte de alimentação local.
Muitas comunidades também separam uma parcela substancial de seu terreno como espaço aberto. Serenbe, por exemplo, reserva 80% de seus 900 acres para espaço verde, sendo 720 acres de colinas ondulantes, bosques e riachos livres de desenvolvimento.Um grande contraste com o amontoado urbano coberto de concreto em Atlanta, distante por apenas 54 quilômetros.
Outra forma com a qual as comunidades sustentáveis reduzem suas pegadas ecológicas é a captura e reciclagem do seu lixo, o que muitas vezes cria os seus próprios ciclos naturais contidos. Em vez de tratar os produtos normalmente identificados como lixo (como água de chuva e esgoto), os habitantes os transformam em recursos. O esgoto, por exemplo, é transformado em um composto que fertiliza as plantas e aumenta a produtividade do solo, e a água da chuva é recolhida e purificada por meio de inovadores sistemas de filtragem e reutilizada para regar as plantas.

terça-feira, 23 de dezembro de 2008

Nanobolhas que não deveriam existir começam a ser compreendidas

Esquema do fluxo gasoso para o interior e para o exterior da nanobolha e o
s elementos que permitem o cálculo de suas dimensões.
[Imagem: Lohse/Brenner]

As nanobolhas - bolhas de ar medindo apenas alguns nanômetros de diâmetro - que se formam sobre as superfícies submersas, não deveriam existir. Devido à enorme pressão a que estão sujeitas, elas deveriam desaparecer quase instantaneamente, durando no máximo alguns microssegundos.Isso, é claro, segundo as teorias atuais. Mas uma teoria - também conhecida como "explicação científica" - contém uma visão da realidade com os melhores "óculos" que a ciência possui a cada momento. É por isso que as teorias estão sempre mudando, porque a ciência consegue ver cada vez mais fundo, criando técnicas e equipamentos de medição e visualização, além de novas formas de entendimento, para enxergar partes da realidade que ainda não haviam se revelado aos olhos e à compreensão do homem.

Equilíbrio gasoso

É isto o que estão fazendo pesquisadores da Universidade de Twente, na Holanda, com relação às nanobolhas que insistem em aparecer, e durar muito, ainda que as teorias atuais digam que elas não deveriam nem mesmo existir.Os professores Detlef Lohse e Michael Brenner descobriram que surge um equilíbrio entre o gás que deixa continuamente a bolha em direção à água ao seu redor e o gás que flui da água para a bolha.A técnica é tão precisa que é possível até mesmo calcular as dimensões da nanobolha onde isto acontece. Os pesquisadores já desenvolveram técnicas para estimular a formação das nanobolhas. Ou seja, agora sabemos como criar as nanobolhas que não deveriam sequer existir com base unicamente no conhecimento anterior.

Aplicações industriais

A descoberta está longe de ser uma mera curiosidade científica. Os líquidos fluem de forma mais fácil, mais rápida e com um menor consumo de energia ao longo das superfícies cobertas por bolhas.Esta linha de pesquisas deverá resultar em técnicas para melhorar o fluxo dos líquidos no interior de canos e dutos, com um grande potencial de economia de energia em inúmeros processos industriais e até mesmo na distribuição de combustíveis e de água.
Dúvidas sobre as leis da termodinâmicaO equilíbrio entre o fluxo de gás que entra e o fluxo de gás que sai das nanobolhas ocorre principalmente onde o líquido toca uma superfície hidrofóbica. Nesta área, há uma maior concentração de gases dissolvidos na água, que são atraídos pela superfície hidrofóbica, otimizando a formação das bolhas.
Contudo, conforme a Segunda Lei da Termodinâmica, este deveria ser um equilíbrio instável, caracterizando uma fase de transição.Como os pesquisadores verificaram que as nanobolhas podem durar de horas até dias, eles agora querem descobrir porque elas duram tanto e o que as faz entrar em colapso. "Será que o equilíbrio é mesmo instável," perguntam eles.


Fonte:Redação do Site Inovação Tecnológica

Bibliografia:Dynamic Equilibrium Mechanism for Surface Nanobubble StabilizationDetlef Lohse, Michael BrennerPhysical Review LettersVol.: 101, 214505 (2008)DOI: 10.1103/PhysRevLett.101.214505

segunda-feira, 22 de dezembro de 2008

O conceito de biopirataria

O conceito de biopirataria foi lançado em 1992, com a assinatura da Convenção sobre Diversidade Biológica (CDB), da Organização das Nações Unidas. Neste tratado, que circulou pela Rio-92, foi estabelecido que os países têm soberania sobre a biodiversidade de seus territórios.A palavra se popularizou e espalhou-se como uma mensagem de alerta. sobre os perigos que passam o conhecimento tradicional das comunidades dos que vivem em áreas de rica biodiversidade e os recursos biológicos apropriados indevidamente e patenteados por empresas multinacionais e instituições cientificas. Tais comunidades, que geraram estes conhecimentos sobre o uso da biodiversidade ao longo dos séculos, são lesadas pela biopirataria porque não participam dos lucros produzidos com seus conhecimentos pelas multinacionais.
Estas empresas ou instituições passam a ter controle exclusivo sobre o conhecimento e os recursos sem autorização desses grupos ou do país de onde foram extraídos.Apenas doze países em todo o mundo são considerados megabiodiversos, ou seja, possuem 70% de todas as espécies de vertebrados, insetos e plantas pesquisadas pelo mundo. Cinco deles estão na América Latina. O Brasil lidera o ranking dos megabiodiversos. Estima-se que seja o país que tem a maior biodiversidade do planeta com cerca de 150 mil espécies já pesquisadas e catalogadas ou 13% de todas as espécies de flora e fauna que existem no mundo. Ainda faltam identificar 90% deste potencial. A Amazônia abriga a maior parte desses recursos, com mais de duas mil e quinhentas espécies de árvores, liderando ainda o “ranking” de peixes de água doce do planeta, de acordo com pesquisa feita pela Universidade de Campinas (Unicamp), coordenada pelo ecologista Thomas Lewinsohn. O pesquisador estima um total de espécies entre 1,4 milhão e 2,4 milhões. Mas a abundância de vida na Amazônia e no Brasil em geral é também um ponto vulnerável, porque a grande maioria dessas espécies ainda não foram reconhecidas pelos pesquisadores locais. O que as torna presas fáceis para laboratórios, empresas e instituições de pesquisas internacionais virem, pesquisarem e se apropriarem deste conhecimento, por meio de patentes que são pedidas no mercado internacional.O fenômeno já aconteceu com várias espécies nativas e a única maneira de deter seu avanço é investir muito em pesquisa, catalogação de espécies e também em biotecnologia e no desenvolvimento de uma indústria farmacêutica brasileira forte, capaz de ser uma usina de patentes de drogas e princípios ativos tirados da mata e dos conhecimentos tradicionais de índios e outros povos da floresta. Só desta maneira será possível barrar os danos causados pela biopirataria ao Brasil.Na Comissão Parlamentar de Inquérito da Biopirataria, em 2003, foi feita uma estimativa de que o país perde por ano, mais de US$ 5,7 bilhões, com o tráfico ilegal de animais de sua fauna e de conhecimentos tradicionais e remédios das suas florestas. Cálculos feitos há três anos pelo Instituto Brasileiro de Recursos Naturais Renováveis (Ibama) indicavam que o Brasil já tinha um prejuízo diário da ordem de US$ 16 milhões por conta da biopirataria internacional, que leva as matérias-primas e produtos brasileiros para o exterior e os patenteia em seus países sedes. O que impede as empresas brasileiras de vendê-los lá fora e as obriga a pagar royalties para importá-los em forma de produtos acabados.O mercado mundial de medicamentos feitos de plantas alcança valores de US$ 400 bilhões por ano, sendo que 40% dos remédios vêm direta ou indiretamente de fontes naturais. Esta CPI também apurou que cerca de 20 mil extratos de plantas nativas indispensáveis à fabricação de remédios saem ilegalmente do Brasil por ano e que institutos estrangeiros de pesquisas, em parceria com organizações não-governamentais ambientalistas, colhem diariamente até 45 amostras sem qualquercontrole ou autorização do governo brasileiro.Na prática, não há como proibir que pessoas e empresas patenteiem recursos biológicos e conhecimentos tradicionais a respeito da fauna e da flora dos lugares. Mas existem normas que, regidas por leis internacionais, deveriam ser seguidas, como aquela estabelecida na CDB que orienta a repartição dos lucros gerados pela utilização de técnicas tradicionais e de recursos naturais por meio do pagamento de royalties às comunidades ou aos países de onde foram apropriados, o que na maioria das vezes não acontece.


domingo, 21 de dezembro de 2008

Quanto lixo o mundo produz?

Esta é uma pergunta difícil de responder. Os números variam muito. A única coisa que dá para dizer, com certeza, é que a quantidade é grande e varia de país para país e de cidade para cidade. Os maiores consumidores do mundo, os norte-americanos, chegam a produzir quase 2 kg (1,8 kg, na verdade) por dia . A cidade de São Paulo tem números de primeiro mundo em relação ao lixo são cerca 1,2 kg por dia por pessoa.Aliás, países pobres e ricos tem estimativas diferentes para a quantidade de lixo. Os habitantes dos países pobres produzem de 100 a 220 kg de lixo a cada ano ou de 0,27 kg a 0,6 kg por dia. E os dos países ricos produzem de 300 a uma tonelada por ano ou de 0,82 kg a 2,7 por dia.Nova York, provavelmente, é a campeã com 3 kg de lixo por pessoa por dia

Fonte:IPEA

Você sabe separar seu lixo para reciclagem?

Não é mais segredo para ninguém que reciclar é fundamental para preservar o meio ambiente. Pode ser em casa, no trabalho ou mesmo em viagens, o importante é que cada um se responsabilize pelo lixo que gera.Especialistas estimam em 1,5 milhão de toneladas a quantidade de lixo produzido por pessoas (não inclui dejetos industriais) anualmente. É um número impressionante, fruto do consumo em massa de produtos em escala mundial. Você sabia, por exemplo, que cerca de 1 milhão de sacolinhas plásticas são utilizadas por minuto?A reciclagem possui pelo menos dois benefícios imediatos: diminuição da quantidade de dejetos em aterros e o reaproveitamento de materiais que seriam inutilizados. Reciclar, portanto, é economizar recursos. E quem não quer economizar, não é mesmo?No Brasil, mais do que economizar, tem gente que ganha algum dinheiro com a reciclagem. É o caso das cooperativas de catadores, grupos de pessoas de baixa renda que encontraram na reciclagem uma forma digna de trabalho.Vale ressaltar que a viabilidade da reciclagem depende da consciência dos consumidores, que são fundamentais no processo: são eles que separam o que vai e o que não vai para reciclagem. Sem que a separação seja feita, não há o que reciclar.Os materiais recicláveis são classificados por tipo - plástico, papel, vidro, ferro, alumínio, orgânico e outros – e devem ser descartados em lixos com cores específicas. Os plásticos no lixo vermelho, os papéis no azul, e assim em diante. Alguns materiais, no entanto, não devem ser encaminhados nem para a reciclagem, tampouco descartados no lixo comum. É o caso do óleo de cozinha que deve ser entregue em postos de coleta específicos, e nunca despejado na pia. Ou de algumas baterias que contém metais pesados. E se você tiver um quintal, pode ainda separar o lixo orgânico e fazer uma compostagem. E você, será que sabe separar todos os materiais recicláveis?

sábado, 20 de dezembro de 2008

Empréstimo Ajuda a Ampliar o Legado de Chico Mendes na Amazônia

Projeto a ser assinado hoje com a participação do Presidente Lula ajudará o Estado do Acre a continuar trabalho

* pioneiro em desenvolvimento inclusivo e sustentável.
*Aprovação coincide com o tributo a Chico Mendes pelos 20 anos de seu assassinato.

A Diretoria Executiva do Banco Mundial aprovou ontem um empréstimo para o Governo do Acre destinado ao Projeto de Inclusão Econômica e Social (PROACRE). O financiamento, no valor de US$ 120 milhões, apoiará os esforços do Estado para oferecer serviços básicos às populações vulneráveis, promovendo ao mesmo tempo a sua estratégia de desenvolvimento econômico baseada no uso sustentável dos seus recursos naturais. O empréstimo será assinado hoje (19) em Brasília, em cerimônia especial com a presença do Presidente Luiz Inácio Lula da Silva e do Governador Binho Marques, como parte dos eventos em torno dos 20 anos do assassinato do ambientalista Chico Mendes.
“Nos últimos 20 anos, participei diretamente ou acompanhei a concepção e o desenvolvimento de vários projetos com organismos multilaterais, seja na condição de assessor do Conselho Nacional dos Seringueiros ou como gestor público, mas nenhuma experiência se compara ao que estou vivenciando com o PROACRE,”disse o Governador do Acre, Binho Marques. “Desde as primeiras conversas com as equipes do Banco Mundial tive a nítida sensação de que algo muito especial estava acontecendo. Falamos com emoção sobre vários temas no mesmo tom e com o mesmo propósito. Esta sensação se tornou uma evidência durante a construção do projeto. Nossas equipes se misturaram como uma só equipe. E o primeiro resultado agora se concretiza, com a aprovação e assinatura do contrato em tempo recorde. Um belo trabalho que será muito bem recompensado com um Acre mais justo, limpo, equilibrado e produtivo.”
O Acre está passando por um momento decisivo, na medida em que os novos projetos de infra-estrutura estão facilitando o acesso do exterior. Nesse contexto, o PROACRE representa um forte compromisso do Estado com o desenvolvimento sustentável em termos sociais e ambientais e com a melhoria da qualidade de vida dos habitantes das áreas rurais. O projeto apoiará a expansão dos serviços de saúde básica, educação e atividades produtivas, visando gerar renda para os produtores e comunidades rurais, incluindo os grupos indígenas. No plano ambiental, a iniciativa contribuirá para o desenvolvimento sustentável por meio da gestão dos recursos naturais, da recuperação ambiental e do fortalecimento da capacidade do setor. O projeto contará com apoio dos municípios participantes, do Governo Federal e de organizações da sociedade civil acreanas, consultadas durante a sua preparação.
“Durante muito tempo houve um debate estéril, que contrapunha questões relacionadas ao desenvolvimento às do meio ambiente. Chico Mendes foi pioneiro ao apontar um novo caminho que integra desenvolvimento e conservação, visando o bem-estar das pessoas e do meio ambiente”, afirmou John Briscoe, Diretor do Banco Mundial para o Brasil. “Nos 20 anos subseqüentes, os associados e seguidores de Chico Mendes fizeram grandes avanços para transformar essa filosofia em políticas e programas públicos. Há uma plena convergência entre a estratégia do Estado e o Arcabouço de Parceria do Banco Mundial na Amazônia, que norteia a crescente carteira de investimentos em desenvolvimento sustentável da entidade na região.”
Para estimular a adesão e a participação da comunidade, o Governo do Acre utilizará Planos de Desenvolvimento Comunitário (PDCs) para habilitar os diversos grupos a selecionar e definir as atividades produtivas no nível local. Os PDCs também determinarão um conjunto de serviços a serem prestados de acordo com os interesses das comunidades, que representam uma importante estratégia de integração entre educação, saúde e atividades produtivas.

sexta-feira, 19 de dezembro de 2008

Algas podem render mais biodiesel que qualquer planta

Observação Microscópica de Microalgas

Embora, entre as matrizes vegetais, a soja seja a principal base do biodiesel do Brasil, sua escala de produtividade é baixa - de 400 a 600 quilos de óleo por hectare - e tem apenas um ciclo anual. O girassol pode produzir um pouco mais, de 630 a 900 quilos.

Biodiesel de microalgas

No entanto, pesquisa realizada no Instituto de Biologia da Universidade Federal Fluminense (UFF) indica que microalgas encontradas no litoral brasileiro têm potencial energético para produzir 90 mil quilos de óleo por hectare.E, segundo o estudo, elas têm diversas outras vantagens. Do ponto de vista ambiental, o biodiesel de microalgas libera menos gás carbônico na atmosfera do que os combustíveis fósseis, além de combater o efeito estufa e o superaquecimento.

Cultivo em terra pobre e água ruim

A alternativa também não entra em conflito com a agricultura, pode ser cultivada no solo pobre e com a água salobra do semi-árido brasileiro - para onde a água do mar também pode ser canalizada - e abre possibilidades para que países tropicais (como a Polinésia e nações africanas) possam começar a produzir matriz energética. Além disso, as algas crescem mais rápido do que qualquer outra planta."O biodiesel de microalgas ainda não é viável, mas em cinco anos haverá empresas produzindo em larga escala", estima o biólogo Sergio Lourenço, do Departamento de Biologia Marinha da UFF, responsável pelo estudo.

Concentração de lipídios

Lourenço identificou dezenas de espécies com potencial para produzir o biodiesel em larga escala. O problema é que a porcentagem de lipídios de cada alga não é alta - poucas espécies chegam a 20% de concentração. Mas a soja (18%) e o dendê (22%) também concentram baixas quantidades de lipídios. O amendoim concentra 40%."Se a matriz tem baixa concentração de lipídios, temos que acumular muito mais massa", explica o biólogo. Por isso, ele e sua equipe trabalham em métodos para estimular a concentração de lipídios. "Por meio de técnicas de manipulação das condições de cultivo, conseguimos alterar a composição química nos meios de cultura, aumentando assim a concentração de lipídios. Em dez dias a biomassa está apta a ser colhida."

Seqüestro de carbono

Há pouco mais de um ano o projeto vem sendo articulado com o Ministério da Ciência e Tecnologia, o Ministério da Agricultura, a Secretaria Especial de Água e Pesca e a Casa Civil, que conduz o Programa Nacional de Biodiesel.Conversas têm sido feitas com a Petrobras para apoiar o projeto. O financiamento permitiria o cultivo em grande densidade, em tanques de 20 mil litros, primeiramente em uma unidade da UFF, antes de ser levada ao semi-árido. Há também, segundo Lourenço, outra vantagem ecológica nesse cultivo: para fazê-las crescer, é necessário tirar carbono da atmosfera.
Biomassa de microalgas

As microalgas são usadas há décadas na produção de encapsulantes e na aquacultura, para alimentar peixes e outros animais. Segundo o pesquisador, desde a década de 1970, depois da primeira grande crise do petróleo de 1973, já se pensava na aplicação desses organismos marinhos para a produção de energia a partir da biomassa."Perdemos terreno por nunca ter investido o suficiente nessa frente. Hoje, o barril do petróleo custa US$ 70 e já chegou a custar US$ 143 este ano, batendo um recorde histórico. O Brasil tem tudo para se tornar a potência energética mundial. Nos encontramos na vanguarda dos biocombustíveis: além de termos alcançado a auto-suficiência na produção de petróleo, temos o maior programa de álcool do mundo", destacou.

Cultivo em áreas disponíveis

De acordo com Lourenço, outra vantagem é que, assim como a cana-de-açúcar, matéria-prima do etanol, as microalgas demandam uma área pequena para seu cultivo e podem produzir uma quantidade de biocombustível bem maior."A cana-de-açúcar ocupa 2% da área agrícola do Brasil, aproximadamente 45 milhões de hectares. A Embrapa indica que o país tem ainda 100 milhões de hectares que pode ocupar. O programa energético prevê mais 2 milhões de hectares, ainda assim uma fração da área total disponível. Com o cultivo das microalgas ocupando apenas 1% da área que a soja utiliza hoje, pode-se produzir a mesma quantidade de biodiesel que ela produz ao ano", afirmou.

Biocombustível para aviação

Presidente da Associação Brasileira de Biologia Marinha e autor do livro Cultivo de Microalgas Marinhas: princípio e aplicações (2006), Sergio Lourenço explica que não são todas as espécies de microalgas com potencial para biocombustível, mas conta que aquelas que identificou também poderiam ser aplicadas para a produção do bioquerosene, maior interesse do setor da aviação na atualidade.Em fevereiro de 2008, um Boeing da companhia aérea Virgin Atlantic fez um vôo entre Londres e Amsterdã movido a bioquerosene à base de óleo vegetal - uma mistura de babaçu e coco. As empresas aéreas gastam 85 bilhões de galões de querosene tradicional por ano e são responsáveis por 3,5% das emissões de dióxido de carbono no mundo."O setor tem que diminuir as emissões e pretende trabalhar com uma mistura de 20% de bioquerosene, hoje feita à base de óleos vegetais, com o querosene tradicional, que custa o equivalente a 40% do preço de uma passagem aérea", disse Lourenço.Segundo ele, o processo de produção do bioquerosene é semelhante ao do biodiesel - ambas as moléculas estão presentes nas microalgas, com a diferença de que as do biodiesel são maiores."Elas têm a mesma classe de moléculas, mas com características químicas diferentes; uma alga descartada para aplicação de biodiesel pode ser usada para bioquerosene", disse.Em fevereiro de 2009, o setor aeronáutico estará reunido em Montreal, no Canadá, no Congresso da Associação Internacional de Aviação (Iata) para discutir, entre outros assuntos, o uso das microalgas na produção de bioquerosene. Esse foi também o destaque de um evento promovido pela Boeing em outubro passado.

Fonte:Agência Fapesp

quinta-feira, 18 de dezembro de 2008

Oceano Ártico tem menor nível de gelo já registrado

[Imagem: Wikimedia Commons]
Impactos promovidos pelas mudanças climáticas estão ocorrendo mais rapidamente do que se esperava, de acordo com um relatório apresentado durante a reunião anual da União Geofísica Norte-Americana, em San Francisco.

Diminuição do gelo marinho

Entre os efeitos acelerados estão a perda de gelo marinho, a elevação no nível do mar e um possível estado de seca permanente no oeste da América do Norte.O relatório é parte de uma série de 21, que estão sendo produzidos por cientistas de instituições acadêmicas e de agências do governo a pedido do Programa Científico de Mudanças Climáticas do governo norte-americano. As análises incluem dados de diversos estudos e levantamentos, como os feitos pelo Painel Intergovernamental de Mudanças Climáticas (IPCC).

Cenários animadores

Ao mesmo tempo em que aponta que algumas projeções têm sido demasiadamente conservadoras, como no caso do derretimento da calota polar, o relatório agora divulgado destaca que em outros pontos o cenário não implica a ameaça imediata estimada, como no caso das alterações nos padrões de correntes oceânicas que influem no clima na Europa e no aumento nas emissões de metano.Entre as alterações que têm ocorrido com velocidade superior à estimada anteriormente estão mudanças nas geleiras nas extremidades da Groenlândia e do oeste antártico. Outro destaque são mudanças hidroclimáticas sobre a América do Norte e sobre as regiões subtropicais do planeta, que, segundo o relatório, poderão se intensificar devido ao aquecimento global.

Secas

"O relatório também identificou que a seca poderá se estender no sentido do pólo Norte no oeste da América do Norte, aumentando a probabilidade de secas severas e persistentes no futuro. Se os modelos que utilizamos estão acurados, trata-se de um processo que já começou. A possibilidade de o oeste [do continente] entrar em um estado de seca permanente não tem sido abordada como deveria", destacou o principal autor do estudo, Peter Clark, professor de geociências na Universidade do Estado de Oregon.

Mudanças climáticas rápidas

Especialistas apontam que mudanças climáticas têm se sucedido na história da Terra e geralmente são muito lentas, ocorrendo em centenas ou milhares de anos. Entretanto, em alguns casos as mudanças foram muito mais rápidas, na ordem de décadas."Mudanças climáticas abruptas apresentam riscos potenciais para a sociedade que ainda são muito pouco compreendidos", destacaram os autores no relatório.Entre as necessidades mais imediatas, apontam os pesquisadores, estão o desenvolvimento de melhores sistemas de observação climática e de previsão de secas e a continuidade do monitoramento nos níveis de metano na atmosfera.

Fonte:Agência Fapesp

Por que usar roupas orgânicas?

Existem cerca de 12,8 milhões de acres de plantações de algodão convencional nos Estados Unidos com quase 2 kg de algodão produzidos por acre. Vinte e cinco mil quilos de pesticidas foram vaporizados naqueles 12,8 milhões de acres, fazendo com que o algodão fique em terceiro lugar, atrás do milho e da soja, entre os produtos que utilizam pesticida. No mundo inteiro, a utilização de pesticidas em plantações de algodão também é grande, representando 25% da utilização mundial de inseticidas e 10% da de pesticidas. Em comparação, foram plantados 2.600 hectares de algodão orgânico nos Estados Unidos em 2005. A produção de lã também requer altos níveis de inseticidas e antibióticos para proteger os animais de pestes e de doenças .Os pesticidas sintéticos e químicos e os fertilizantes são associados a estatísticas preocupantes.A Agência de Proteção Ambiental - EPA considera 7 dos 15 principais pesticidas usados em algodão nos Estados Unidos como "possíveis", "prováveis" ou "conhecidas" causas de câncer em seres humanos Acredita-se que os pesticidas causam uma série de danos à saúde, como dores de cabeça, fadiga, náusea, asma, câncer, distúrbios neurológicos e má formação do feto. A Agência Americana de Substâncias Tóxicas e Registros de Doenças informa que crianças expostas ao methyl parathion, um inseticida, sofrem perda de memória e variações emocionais. A Organização Mundial de Saúde estima que os pesticidas envenenam pelo menos três milhões de pessoas a cada ano, sendo que 200 mil delas, acabam sendo vítimas fatais Os métodos da agricultura orgânica ajudam a diminuir nossa exposição à toxinas como os pesticidas e os inseticidas. O cultivo orgânico também utiliza 50% a menos da energia consumida em uma plantação convencional.

quarta-feira, 17 de dezembro de 2008

Projeto Carvão Verde - Fazenda São Domingos

O INEE está apoiando um projeto para implantar uma unidade de produção de carvão vegetal (CV) utilizando o capim elefante, a ser instalada no Assen- tamento Fazenda Experimental São Domingos, em Con- ceição de Macabu, no Estado do Rio de Janeiro (unidade industrial na foto abaixo).
O objetivo é não só produzir o combustível de forma renovável e econômica, como também,criar uma nova atividade para pequenos produtores rurais.O projeto faz parte das iniciativas do INEE - Instituto Nacional de Eficiência Energética, para criar no país uma política para o uso energético da madeira e de seus derivados. A fábrica cujo início de operação está previsto para começo de 2009, foi projetada para uma produção anual de até 100 toneladas de carvão, utilizando a biomassa de uma área plantada de 12,5Ha (foto abaixo).O projeto está sendo realizado com a participação da Cooperativa São Domingos no Município de Conceição de Macabu,
composta de produtores rurais assentados, situando-se no norte do Estado do Rio de Janeiro, próxima à maior bacia petrolífera do país. A iniciativa, original do INEE, conta com o decisivo apoio do Governo do Estado do Rio de Janeiro através da Secretaria de Desenvolvimento Econômico e Energia, da TermoRio, do Programa Nacional de Fortalecimento da Agricultura Familiar - PRONAF (Ministério de Desenvolvimento Agrário) e da Prefeitura de Conceição de Macabu. A participação do INEE concentra-se nos aspectos conceptivo e gerencial da implantação do projeto.O equipamento é constituído por um reator (peça retangular da foto ao lado, em montagem) que é alimentado com o capim e opera em temperatura de 500ºC. Nessa condição e na ausência de ar, a água da biomassa evapora e a massa vegetal é pirolisada, isto é, convertida em três componentes:

1) gás, 2) líquido chamado alcatrão (ou bio-óleo) que se assemelha ao petróleo e, 3) carvão vegetal na forma pulverizada. O gás produzido é queimado em uma fornalha (câmara de combustão) e fornece a energia usada para manter a temperatura do reator. O alcatrão é um combustível e também pode ter diversos usos não energéticos tais como aditivo alimentar, adubo, medicamento veterinário. O CV é granulado e depois de compactado por briquetagem para ganhar o formato adequado à comercialização pode ser queimado em caldeiras ou ter uso siderúrgico.Desta forma, não há desperdício de biomassa observado no carvão vegetal de florestas plantadas ou de produção extrativa.Ao lado, à esquerda, encontra-se o carvão do capim elefante e à direita, o carvão briquetado (briquete). A foto ao lado mostra o mesmo equipamento reator acima, de pirólise da câmara de deposição dos finos (carvão do capim) e do sistema de recuperação dos bio-óleos (alcatrão), já montado.A foto abaixo ilustra o equipamento de briquetagem dos finos de carvão vegetalO projeto está sendo desenvolvido também para dar a uma comunidade de agricultura familiar uma atividade diferente e que agrega valor aos usos tradicionais.

O projeto inicial deve gerar de 10 a 14 postos de trabalho no assentamento para atender as diversas etapas da produção que vão da plantação à produção do CV. Em longo prazo o INEE estima que a unidade pode ainda fornecer o calor para usos energéticos locais tais como a secagem de grãos e frutas. A operação pode ser realizada pelo pessoal da própria comunidade.A tecnologia foi desenvolvida e patenteada pela empresa BIOWARE Tecnologia, incubada na UNICAMP, em Campinas, SP. Um dado importante é que quanto maior o reator, maior o tempo para processamento. O dimensionamento da unidade é uma solução de compromisso onde se observa uma escala de produção relativamente baixa e que absorve a produção inicial de 4 Ha de capineira. Isto indica que a produção pode ser feita de forma descentralizada e plenamente adaptada ao mundo rural.Registre-se, ainda que a produtividade do capim elefante (20 - 40 ton/Ha) é quatro ou mais vezes maior que a da madeira de eucalipto, com a vantagem de que esta leva até seis anos para o primeiro corte e o capim fica disponível em seis meses após o plantio. Estima-se, portanto que a tecnologia deva produzir um carvão em bases renováveis e com custo competitivo. Em princípio, pode operar a partir de qualquer biomassa tal como casca de coco, palhas de arroz, etc.

terça-feira, 16 de dezembro de 2008

O Meio ambiente e a compostagem

Os norte-americanos geram aproximadamente 210 milhões de toneladas de lixo ou resíduos sólidos anualmente. Os brasileiros são um pouco mais modestos: cerca de 84 milhões de toneladas (dados de 2000), segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatísticas (IBGE).
Nos Estados Unidos, a maior parte desse lixo (57%) é colocada em depósitos de lixo municipais. No Brasil, 37% têm o mesmo destino. Nos Estados Unidos, aproximadamente 56 milhões de toneladas (27%) são recuperadas através da reciclagem, no caso de vidros, produtos de papel, plástico ou metais ou através da compostagem, no caso do lixo doméstico. No Brasil, menos de 10% são reciclados, segundo estimativas. A compostagem é um método para tratamento dos resíduos sólidos no qual o material orgânico é decomposto por microorganismos na presença de oxigênio até o ponto em que poderá ser armazenado e manuseado com segurança e aplicado ao meio ambiente. A compostagem é essencial na redução de resíduos domésticos. Ela pode ser feita sem muitos gastos em qualquer domicílio e produz o composto fertilizante ou húmus, que pode beneficiar o meio ambiente como fertilizante natural em jardins e na agricultura.

Biologia na compostagem

A compostagem cria as condições ideais para os processos de decomposição que acontece na natureza. Ela requer o seguinte material:
· resíduos orgânicos: jornais, folhas, grama, restos de cozinha (frutas, vegetais), materiais de madeira.
· terra: fonte de microorganismos.
· água.
· ar: fonte de oxigênio
Durante a compostagem, os microorganismos da terra se nutrem dos resíduos orgânicos (contendo carbono) e os decompõem em suas menores partes. Isto produz um húmus rico em fibras, contendo carbono, com nutrientes inorgânicos como nitrogênio, fósforo e potássio. Os microorganismos decompõem o material através da respiração aeróbica e, portanto, precisam de oxigênio do ar. Eles também precisam de água para viver e multiplicar. Através do processo da respiração, os microorganismos liberam dióxido de carbono e calor e as temperaturas dentro das pilhas de compostagem podem atingir de 28°C a 66°C. Se a pilha ou recipiente de compostagem for ativamente cuidada, remexida e regada com água regularmente, o processo de decomposição e formação da compostagem final pode acontecer em apenas duas ou três semanas (do contrário, poderá levar meses).
As condições de compostagem devem ser balanceadas para uma decomposição eficiente. Deverá haver:
· ar em abundância: a mistura deve ser remexida diariamente ou a cada dois dias;
· água suficiente: a mistura deve ser umedecida, mas não encharcada;

· mistura apropriada de carbono e nitrogênio: a relação deve
ser de aproximadamente 30:1.
· quantidade de terra adequada: deve fornecer microorganismos suficientes para o processo.
. tamanho de partícula pequena: pedaços grandes devem ser desmembrados, pois partículas pequenas se decompõem mais rapidamente;

Fonte:http://casa.hsw.uol.com.br

segunda-feira, 15 de dezembro de 2008

Tinta biodegradável de beterraba

A partir da constatação de que as tintas das canetas convencionaisbcontêm metais pesados prejudiciais ao meio-ambiente e à saúde humana, os alunos Bruno Buzo e Mariana Costa, do Colégio Koelle de Rio Claro (SP), desenvolveram uma tinta à base de beterraba Para que o projeto chegasse à quinta edição da Feira Brasileira de Ciências e Engenharia (Febrace), os alunos pesquisaram e concluíram que a beterraba é o melhor vegetal para fazer a tinta, pois dela é possível retirar a pigmentação mais forte.O processo de produção começa com a raiz sendo batida no liquidificador. Posteriormente, são adicionados ao suco conservantes e outros elementos, como amido, para tornar a tinta mais resistente e viscosa. Tudo biodegradável. O resultado é uma tinta vinho, bastante intensa. Segundo os estudantes, as raízes retiradas de agosto a novembro são as mais adequadas pois produzem os melhores pigmentos.

fonte: www.aprendiz.com.br

domingo, 14 de dezembro de 2008

Reunião do clima anda ‘a passo de lesma’, diz ONG

Horas antes do fim da conferência da Organização das Nações Unidas (ONU) sobre mudanças climáticas, nesta sexta-feira, ambientalistas acusam os negociadores de “andar em passo de lesma”, embora admitam que as medidas mais importantes já foram tomadas.Nesta sexta-feira, o boletim informativo diário Eco, produzido por várias organizações não-governamentais reunidas na Rede de Ação pelo Clima (Can, na sigla em inglês), urge os ministros reunidos em Poznan, na Polônia, a “mudar suas posições” na direção de um acordo “justo e eficiente”.“Nas últimas duas semanas, as negociações andaram em passo de lesma, enquanto o crescente corpo de ciência climática exige nada menos do que pressa”, dizem os ambientalistas.Na abertura da fase ministerial do encontro, os representantes dos países destacaram a necessidade de medidas imediatas e de boa vontade para evitar os desastres que podem ser provocados pelo aquecimento global.
Por outro lado, o secretário-executivo da Convenção da ONU sobre Mudanças Climáticas, Yvo de Boer, destacou na quinta-feira que o encontro de Poznan não deve trazer “espetáculos e reviravoltas”, mas disse que já há avanços pragmáticos.O fato é que, como ponto intermediário entre as reuniões-chave de Bali – onde foi traçada a rota para um novo acordo de redução de emissões – e Copenhague, o fim da linha no ano que vem, Poznan marca a transição entre a fase de idéias e a de negociações.Negociadores de todos os lados vêm destacando a importância de se ter um documento flexível, para que ninguém se sinta excluído das duras negociações que vão preceder o encontro na Dinamarca.

’Má hora’

A hora ruim, do ponto de vista estratégico, em que a reunião acontece – em meio à pior crise econômica em décadas e nos últimos suspiros de um governo americano pouco interessado em participar de esforços ambientais – reforça a necessidade de flexibilidade.A partir de fevereiro, um equipe de Barack Obama vai entrar em cena, e o presidente-eleito americano já prometeu “liderar o mundo” no combate ao aquecimento global.Além disso, a União Européia (UE) permanece dividida, enquanto aguarda a decisão dos seus governantes, reunidos em Bruxelas, sobre um acordo para a estratégia conjunto de energia e meio ambiente.Qualquer compromisso com metas de redução de emissões por parte dos europeus vai depender do que ficar decidido em Bruxelas nesta sexta-feira – e isso pode enfraquecer a mensagem política do documento final em Poznan.
Metas audaciosas de redução de emissões são o sinal que os governantes dos países em desenvolvimento esperam dos seus colegas mais ricos. Logo, sem compromissos claros nessa área, os países em desenvolvimento terão pouco estímulo para serem ambiciosos. Na mesa de negociações também faltam acordos sobre questões importantes como, por exemplo a operacionalização do Fundo de Adaptação, um instrumento fundamental para financiar a ajuda aos países que já são atingidos pelas mudanças climáticas.Além disso, é preciso decidir se a aplicação dos recursos provenientes do Mecanismo de Desenvolvimento Limpo (MDL) deve abranger projetos de implementação conjunta e troca de emissões de carbono e a inclusão ou não de projetos de Captura e Armazenamento de Carbono (CCS, na sigla em inglês) nos MDL.

Fonte: BBC Brasil - Eric Brücher Camara

sábado, 13 de dezembro de 2008

Embalagem reciclada de defensivo agrícola


Empresa fabricará 3,5 milhões de embalagens recicladas a partir das próprias embalagens usadas de defensivos agrícolasJá está sendo testado o primeiro equipamento desenvolvido no País para fabricar embalagens recicladas de defensivos agrícolas. Com investimentos de R$ 2 milhões só na compra da máquina e seus acessórios, o Instituto Nacional de Processamento de Embalagens Vazias (Inpev) - entidade sem fins lucrativos formada por 76 empresas fabricantes de defensivos e por 6 entidades do setor agrícola - pretende transformar novamente em embalagens o plástico originado de recipientes usados.Em cumprimento a normas técnicas, a embalagem terá 60% de polietileno reciclado e 40% de polietileno virgem. “A máquina foi feita por encomenda por uma empresa de origem alemã, a Bekum”, diz o diretor-presidente do Inpev, João Cesar Rando. “Ela fabricará uma embalagem com três camadas: uma interna, com 20% de polietileno virgem, que estará em contato direto com o produto químico; uma sobre esta com 60% do polietileno reciclado e uma terceira, externa, com os 20% restantes do polietileno virgem.”

NÚMEROS

A pleno vapor, a máquina deverá processar 3.600 toneladas de polietileno - tanto virgem quanto reciclado -, que resultarão em 3,5 milhões unidades de embalagens por ano.“Até o fim de abril o equipamento estará em funcionamento na nossa fábrica, a Campo Limpo Reciclagem e Transformação de Plásticos S.A., instalada em Taubaté (SP)”, diz Rando, acrescentando: “A fabricação de embalagens de defensivos foi uma maneira de manter na própria indústria de agroquímicos a embalagem que ela mesma usa, fechando o ciclo dentro da própria cadeia, por meio da reciclagem.”Desde 2002, quando o Inpev passou a funcionar, foram recolhidas, em todo o País, por meio de 375 unidades recebedoras, 107 mil toneladas de embalagens vazias de defensivos. Dos 100% das embalagens colocadas no mercado pela indústria, conforme explica Rando, 70% são embalagens primárias (o próprio recipiente plástico ou metálico onde vai o defensivo) e 30% de embalagens secundárias (as caixas de papelão que acondicionam os recipientes com o defensivo). Num programa de sucesso equivalente à reciclagem de latas de alumínio, Rando diz que a taxa de retorno e reciclagem do total de embalagens é alto: por volta de 80%, entre embalagens primárias e secundárias. “E, entre as embalagens plásticas, que formam o maior volume, praticamente 100% já são recolhidas e 95% disso reciclado”, explica Rando. “Este número só não é total porque parte das embalagens plásticas chega aos postos de recebimento do Inpev sem ter sido lavada ainda na propriedade rural e por isso não pode ser reciclada. “De tudo o que recolhemos, porém, apenas 7,5% a 8% são incinerados.” Em relação às embalagens de papelão, o Inpev pretende, no ano que vem, reforçar a campanha entre os produtores rurais para que elas também sejam devolvidas.
Fonte: www.estado.com.br

sexta-feira, 12 de dezembro de 2008

Reciclagem pede melhores políticas públicas


"Se a Lei de Resíduos Sólidos passar no Congresso da forma como está, iremos separar, prensar e fardar embalagens plásticas apenas para empilhá-las em depósitos, ou mesmo nos próprios lixões, pois não haverá indústrias suficientes para reciclá-las."Com esta opinião, Vladimir Kurdjawzew, empresário do setor de reciclagem de plásticos, destacou as dificuldades que essas indústrias enfrentam no Brasil. Sem um incentivo específico, elas arcam com os custos de pesquisa e desenvolvimento de novas tecnologias, bem como de abrir mercado para as soluções encontradas, e recolhem todos os impostos, como qualquer indústria regular."Todo mundo pensa que, por ser de material reciclado, tem de ser um produto baratinho e não imaginam todo o investimento por trás de seu desenvolvimento. Como podemos sobreviver num cenário como esse?", pergunta Kurdjawzew. O empresário é responsável por uma empresa que investiu R$ 20 milhões para fabricar dormentes, pallets e estacas a partir de plásticos reciclados e agora enfrenta dificuldades para vendê-los?mesmo que eles tenham maior durabilidade, menor peso e possam, ao final de sua vida útil, ser novamente reprocessados, evitando toneladas de lixo."O consumidor precisa valorizar os produtos com material reciclado para gerar mercado. Assim, haverá produtores", enfatizou o empresário, durante o Ecobusiness Show, evento que reuniu, em São Paulo, 600 pessoas em um congresso focado em soluções socioambientais e cerca de 3.500 pessoas na visitação de sua feira. André Vilhena, diretor-executivo do Compromisso Empresarial para Reciclagem (Cempre), concorda que o setor demanda melhores políticas públicas. Em entrevista durante evento da Fispal, promotora de feiras do setor de alimentos e bebidas, Vilhena destacou que o governo precisa oferecer um tratamento diferenciado para as empresas do setor de reciclagem, promovendo mudanças na tributação de sua cadeia.Avaliando este cenário, o deputado federal Antônio Carlos Mendes Thame, de São Paulo, com o apoio de mais de 190 parlamentares, apresentou a Proposta de Emenda à Constituição (PEC) 571/2006 para conceder imunidade tributária a produtos reciclados de matéria-prima nacional. Para evitar que seu trâmite leve anos, Thame pede manifestações de entidades civis em apoio ao projeto.

Setor em expansão

Mesmo com os desafios atuais, André Vilhena ressalta que o setor da reciclagem está em franca expansão. Ele movimenta em torno de R$ 3 bilhões por ano e tem crescido entre 10% e 15%, podendo chegar a 25% nos próximos anos.Também Auri Marçon, diretor da Recipet, uma das quatro maiores recicladoras de garrafas PET do Brasil, considera que esse mercado manterá um bom crescimento. Aos poucos, o país está entendendo e valorizando o setor ao perceber que ele envolve alta tecnologia e produtos finais tão bons ou ainda melhores que os feitos com matéria-prima virgem. Um exemplo disso é a aprovação, em 2007, pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), do uso de PET reciclado na produção de embalagens para alimentos.De acordo com Vilhena, para que a reciclagem de todos os resíduos avance - inclusive a dos orgânicos, que representam 60% de todo o lixo gerado no Brasil -, não só o setor industrial deve se engajar, mas a infra-estrutura da coleta seletiva precisa ser ampliada. Um desafio para os governos dos 5.564 municípios brasileiros, já que menos de 7% deles a realiza.

Fonte:(Envolverde/Instituto Ethos)

quinta-feira, 11 de dezembro de 2008

Eco charges


Roupas orgãnicas e roupas sustentatáveis a moda eco-amigável


As roupas orgânicas são feitas de materiais essencialmente naturais e não sintéticos, e parte, pelo menos no Brasil, dessa produção vem de métodos de agricultura orgânica que fazem parte do movimento da agricultura orgânica. Esse movimento enfatiza a agricultura e a produção, que trabalham em conjunto com a natureza e ajudam a diminuir a poluição do ar, do solo e da água. Os materiais para as roupas orgânicas vêm de plantas que não recebem radiação e que não foram geneticamente modificadas ou tratadas com pesticidas sintéticos ou químicos. Qualquer produto classificado como orgânico, independentemente de ser uma camiseta ou uma maçã, deve seguir os padrões nacionais estipulados pelo Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA).
Semelhantes às roupas orgânicas são as roupas sustentáveis. Os trajes sustentáveis enfatizam a reutilização e a reciclagem de materiais e fazem parte do movimento de conscientização ambiental. Tanto as roupas orgânicas quanto as sustentáveis são ecologicamente corretas e amigas do meio ambiente.
Os tecidos orgânicos como o algodão, a lã, a
seda e o cânhamo devem cumprir a regulamentação estipulada pela Associação de Comércio de Orgânicos ou por órgão regulador, no que diz respeito à produção, ao tingimento e ao manuseio das fibras. É importante procurar o certificado nas embalagens para ter certeza de que se trata realmente de um produto orgânico. Os tecidos sustentáveis são produzidos fora das diretrizes e das certificações federais.
O algodão orgânico é o tipo mais popular de tecido orgânico. De acordo com a Associação dos Consumidores de Produtos Orgânicos, a demanda por roupas feitas de algodão orgânico duplicou entre 2005 e 2006.O algodão orgânico também é usado em artigos pessoais como produtos sanitários, esfregões e fraldas para bebês, assim como em artigos de mesa, banho e até mesmo em papelaria.
A lã orgânica, a seda e o cânhamo também são materiais orgânicos populares. O cânhamo é uma fibra natural altamente durável que não requer pesticidas e precisa de pouca água para crescer. Por se tratar de uma fonte renovável, os fazendeiros podem manter plantações de cânhamo ano após ano. As fibras de cânhamo podem ser usadas em vestuário, cosméticos e papéis. Para tornar o cânhamo menos rígido, as fibras geralmente são misturadas com algodão e seda.
As roupas sustentáveis utilizam tecidos feitos de materiais renováveis como o bambu, a soja e o Tencel, fibra proveniente da polpa de madeira. Os materiais de roupas sustentáveis também podem ser produzidos a partir de novas opções sintéticas como o "POP", tecido feito de plástico reciclado de garrafas de refrigerante.
O bambu se tornou uma escolha popular de tecido sustentável para empresas que pretendem realizar a transição para a moda eco-amigável. Ele cresce rápido e pode ser cultivado sem pesticidas ou aditivos químicos. E também é 100% biodegradável. Para se obter as fibras de bambu, sua polpa é retirada até que fique separada em fios finos que podem ser torcidos e tecidos. O bambu produz um ótimo tecido para roupas esportivas devido às suas propriedades naturais anti-bactericidas e absorventes. O tecido de bambu também é famoso por sua textura macia.
Muitas vezes, os tecidos orgânicos e sustentáveis requerem cuidado especial (leia sempre as instruções de lavagem na etiqueta de cada produto). Embora muitos tecidos possam ser lavados à máquina, alguns requerem lavagem a seco ou à mão. Os consumidores conscientes talvez queiram utilizar detergentes livres de fosfato e biodegradáveis e secar as roupas no varal para reduzir o consumo de energia.

quarta-feira, 10 de dezembro de 2008

A reciclagem no Brasil

No Brasil, é impensável falar em reciclagem sem citar os catadores de materiais e suas cooperativas. Não existem números fechados, mas calcula-se que existam de 300 mil a 1 milhão de catadores em atividade no país.Não é para menos, a população brasileira gera diariamente cerca de 126 mil toneladas de lixo de consumo (excluindo dejetos industriais e empresariais). Não fossem os catadores, tudo acabaria em aterros sanitários e lixões.
A profissão, no entanto, é desgastante e insalubre. A maioria dos catadores perambula 30 quilômetros por dia em média, puxando até 400 quilos, em busca de materiais que, muitas vezes, só são encontrados dentro de sacos de lixo. Tudo isso para ganhar de um a dois salários mínimos por mês.Apesar disso, as cooperativas são verdadeiros centros de reabilitação social e promoção de cidadania, por possibilitam a geração de renda para uma parcela da população socialmente excluída e sem instrução. Cumprem um importante papel de desenvolvimento sustentável da sociedade brasileira.

Molécula essencial à vida é encontrada a 26.000 anos-luz da Terra

Representação esquemática do glicoaldeído, a molécula
chave para a existência da vida, detectada a 26.000 anos-luz da Terra.
[Imagem: Univ.College London]

Cientistas detectaram uma molécula de açúcar a 26.000 anos-luz da Terra em uma região de nossa Galáxia onde pode haver planetas habitáveis. Esta molécula orgânica está diretamente ligada à origem da vida.A descoberta foi feita por um grupo internacional de cientistas por meio do radiotelescópio IRAM, localizado na França. A região onde foram detectados os sinais da molécula de açúcar é um verdadeiro berço de estrelas, com variados processos de formação de novos corpos celestes.

Açúcar da vida

"Esta é uma descoberta importante porque é a primeira vez que um glicoaldeído, um açúcar básico, foi detectado em uma região de formação de estrelas, onde podem existir planetas que podem potencialmente abrigar a vida," explica a Dra. Serena Viti, uma das autoras do artigo que descreve a descoberta.Moléculas de glicoaldeído somente haviam sido detectadas anteriormente na direção do centro da nossa galáxia, onde as condições são extremas em comparação com o resto da galáxia.A nova descoberta, em uma área mais "amena", também dá evidências de que a produção dessa molécula chave para a vida pode ser comum ao longo da galáxia.

Busca por vida extraterrestre

A notícia está sendo comemorada por todos os cientistas que trabalham na busca por formas de vida extraterrestres, na medida que uma maior disseminação dessas moléculas aumenta as chances de que elas existam juntamente com outras moléculas essenciais para a vida e em regiões da galáxia onde podem existir planetas semelhantes à Terra.O glicoaldeído é o mais simples dos monossacarídeos. Ele pode reagir com a substância propenal para formar a ribose, um constituinte fundamental do RNA (ácido ribonucléico), que se acredita ser a molécula central para a origem da vida.

Fonte:Redação do Site Inovação Tecnológica

terça-feira, 9 de dezembro de 2008

Mandioca é utilizada como bio-combustível

O Brasil já é mundialmente conhecido pela produção de etanol a partir da cana-de-açúcar. Agora, pesquisadores da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa) estudam uma nova fonte de produção de álcool combustível: a mandioca açucarada.Durante a Exposição Tecnológica Mundial (Expowec 2008), realizada em Brasília, a pesquisadora da Embrapa Agroenergia Sílvia Belém mostrou que a mandioca açucarada pode substituir a cana-de-açúcar na produção do etanol. O evento termina hoje (6).“A nossa idéia é oferecer uma opção à cana, onde ela não pode ser cultivada, como em áreas da Amazônia e também onde o solo não favorece a plantação de cana-de-açúcar”, explicou a pesquisadora. Segundo ela, a mandioca poderia ser cultivada no estado do Pará, onde o clima e o solo são favoráveis.
Segundo ela, a espécie da mandioca analisada pode apresentar, inclusive, uma vantagem em relação à cana. Isso porque a mandioca possui açúcar em forma de glicose. Já o da cana é em forma de sacarose. “O processo de fermentação da cana-de-açúcar é um pouco mais demorado”, explicou.Silva Belém ponderou que a produção de etanol a partir da mandioca açucarada ainda está em fase de estudos.

Fonte: Ivan Richard da Agência Brasil

segunda-feira, 8 de dezembro de 2008

Eco charges

Peixes ensinam como gerar eletricidade em águas calmas

Conceito artístico de uma série de equipamentos
Vivace instalados no fundo de um rio ou do mar.
[Imagem: Omar Jamil]
Quase toda a energia elétrica produzida no Brasil vem das hidroelétricas, que usam o desnível naturalmente encontrado em regiões de quedas d'água, usando a energia cinética da água represada para girar as turbinas que produzem a eletricidade.Agora, cientistas da Universidade de Michigan, nos Estados Unidos, descobriram uma nova tecnologia para gerar eletricidade a partir de correntes de água que se movem lentamente, como os rios em regiões sem cachoeiras ou mesmo o movimento dos oceanos.

Energia de águas calmas

O equipamento, batizado de Vivace, é capaz de gerar eletricidade utilizando cursos de água que se movimentam a pouco mais de 3 km/h (2 nós). Isso transformaria praticamente todos os rios do planeta em fontes exploráveis para a geração de energia.Vivace é uma sigla para Vortex Induced Vibrations for Aquatic Clean Energy. A idéia nasceu da observação dos peixes e de como eles lidam com as turbulências para se movimentar de forma eficiente. Essa nova forma de exploração da energia hidrocinética não depende de ondas, marés, turbinas e nem represas - apenas das vibrações induzidas pelos redemoinhos.

Vibrações induzidas por vórtices

Vibrações induzidas por vórtices são ondulações que um objeto redondo ou cilíndrico induz no fluxo de um fluido, seja a água ou o ar. A presença do objeto induz mudanças no fluxo do fluido, criando redemoinhos, ou vórtices, que se formam em um padrão nos lados opostos do objeto. Os vórtices empurram e puxam o objeto para a direita e para a esquerda, perpendicularmente à corrente."Nos últimos 25 anos, os engenheiros - eu inclusive - vínhamos tentando suprimir essas vibrações induzidas pelos vórtices. Mas agora nós estamos fazendo o oposto. Nós melhoramos as vibrações e domamos essa poderosa e destrutiva força da natureza," conta o Dr. Michael Bernitsas.

Inspirado nos peixes

Os peixes fazem isso o tempo todo, usando as forças dos vórtices para se mover de forma eficiente."O Vivace copia alguns aspectos da tecnologia dos peixes," diz Bernitsas. "Os peixes curvam seus corpos para deslizar entre os vórtices criados à sua frente. Apenas seus músculos não poderiam impulsioná-los através da água na velocidade em que nadam," explica ele.
O protótipo mostra a simplicidade do projeto e dá a entender que a adoção do princípio na prática pode ser bastante simples. O aparelho consiste unicamente de um cilindro ligado a algumas molas. Os testes foram feitos em um tanque no qual a água flui a 1,5 nó.A simples presença do Vivace na corrente de água cria vórtices alternados acima e abaixo dele. Os vórtices empurram e puxam o cilindro para cima e para baixo ao longo de suas molas. Esta energia mecânica é utilizada para acionar um gerador, que produz a eletricidade.

Necessidades de energia do mundo

"Não há uma solução única para as necessidades de energia do mundo. Mas se nós usarmos apenas 0,1 por cento da energia dos oceanos, nós poderemos produzir a energia necessária para uma população de 15 bilhões de pessoas," diz o engenheiro.
Segundo seus cálculos, a energia dos vórtices poderá ser gerada em larga escala a um custo de US$0,055 por kilowatt/hora (kW/h). A energia eólica hoje custa US$0,069 por kW/h e a energia nuclear ao redor de US$0,046. Dependendo do local onde é produzida, a energia solar fica entre US$0,16 e US$0,48 kW/h.Os pesquisadores planejam fazer o primeiro teste da nova tecnologia em escala piloto em 18 meses.

Fonte:Redação do Site Inovação Tecnológica

domingo, 7 de dezembro de 2008

ONGs criticam proposta de ministério e deixam negociação sobre Código Florestal

Nove organizações não-governamentais ambientalistas se retiraram da negociação sobre mudanças no Código Florestal, que vinham sendo discutidas com os Ministérios da Agricultura e do Meio Ambiente e parlamentares. O motivo da discórdia, segundo as ONGs, foi uma proposta apresentada pelo ministro da Agricultura, Reinholds Stephanes, que reduz drasticamente a proteção das áreas de conservação em nome do agronegócio.
O pacote, que teria sido acordado com a Frente Parlamentar da Agricultura e apresentado esta semana, propõe “anistia” para propriedades irregulares em áreas de preservação ocupadas até 31 de julho de 2007, a redução da área de reserva legal (percentual de floresta que deve permanecer intacto em imóveis rurais) e a possibilidade de recomposição da mata nativa com espécies exóticas, como o dendê, entre outros.Na avaliação das organizações ambientalistas, entre elas o WWF, o Greenpeace, o Instituto Socioambiental (ISA) e a TNC, a proposta é “uma verdadeira bomba-relógio” para a biodiversidade.
“Não é possível discutir e negociar com um ministério que, em detrimento do interesse público, se preocupa apenas em buscar anistias para particulares inadimplentes. O processo de negociação deve ser vinculado à obtenção do desmatamento zero”, afirmam as ONGs em manifesto.
Em nota, o Ministério da Agricultura negou que tenha pleiteado anistia para os desmatadores. “Esse tema não consta na pauta de discussão do grupo de trabalho”. No comunicado, a pasta informa que “defende o desmatamento zero”, mas pede mais flexibilidade nas discussões.
“A defesa ambiental exige uma posição protecionista mais rígida. Isso não pode impedir, porém, que sejam ignoradas as áreas agrícolas consolidadas, sem encontrar formas de flexibilização do uso do solo”, de acordo com a nota.O grupo de trabalho deve se reunir na próxima semana para mais uma etapa de negociação, dessa vez sem os representantes da sociedade civil. Quaisquer que sejam as mudanças sugeridas, o texto precisa passar por votação no Congresso Nacional.

Fonte: Luana Lourenço Repórter da Agência Brasil
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