quarta-feira, 6 de maio de 2009

Peixes contaminados por poluição atmosférica


O estudo mostra, pela primeira vez, a relação entre as emissões globais de mercúrio e a contaminação de atum e outros tipos de vida marinha no oceano Pacífico Norte.A pesquisa realizada pelo Serviço de Levantamento Geológico (USGS, na sigla em inglês) documenta a formação de metilmercúrio ─ uma forma altamente tóxica de mercúrio ─ que se acumula rapidamente na cadeia alimentar em níveis que podem provocar sérios danos à saúde de pessoas que consomem frutos do mar. Cientistas já sabem que o mercúrio depositado da atmosfera pode ser transformado em metilmercúrio, mas os estudos se restringiram apenas à transformação em si.
O USGS mostrou que o metilmercúrio é produzido em profundidades médias das águas oceânicas, por um processo ligado à “chuva do oceano”. Algas, produzidas em águas superficiais, que recebem luz solar, morrem rapidamente e “se precipitam” oceano abaixo. Essas algas são decompostas por bactérias e a interação do processo de decomposição com o mercúrio forma o metilmercúrio.Com a propagação dos elos da cadeia alimentar, predadores como o atum são contaminados pelo metilmercúrio contido nos peixes que consomem.O estudo revelou a importância do longo alcance da movimentação do mercúrio no oceano que se origina no oeste do Pacífico, ao longo da costa da Ásia, avalia David Krabbenhoft, cientista do USGS e co-autor do estudo.
“Pesquisadores que estudam o mercúrio normalmente procuram na atmosfera a fonte desse elemento, produzida por emissões de instalações que utilizam combustão no continente”, observa Krabbenhoft. “Neste estudo, no entanto, a trajetória do mercúrio é um pouco diferente. Aparentemente, o recente aumento de mercúrio em amostras de água do oceano Pacífico foi provocado por emissões provenientes de partículas radioativas próximas da costa da Ásia. As águas contaminadas são transportadas para leste por correntes de circulação oceânica de longo alcance”.“Esse estudo inédito é funamental para a saúde e segurança das pessoas e da vida selvagem, porque nos ajuda a entender a relação entre as emissões atmosféricas de mercúrio e as concentrações desse elemento em peixes”, avalia Ken Salazar, Secretário do Interior da administração Obama.
Cientistas prevêem um aumento adicional de 50% na concentração de mercúrio no oceano Pacífico até 2050 se as taxas de emissão continuarem nos mesmos níveis. As amostras de água retiradas pelo USGS mostram que os níveis de mercúrio, em 2006 eram, aproximadamente, 30% mais altos que os medidos em meados da década de 90.“A pesquise permite entender melhor como níveis perigosos de mercúrio se deslocam no ar, na água e nos alimentos, além de alertar sobre ameaças sérias à saúde das pessoas do mundo todo”, acrescenta Lisa Jackson, administradora da Agência de Proteção Ambiental (EPA, na sigla em inglês).As amostras de água do Pacífico foram coletadas em 16 pontos diferentes entre Honolulu, Havaí e Kodiak, no Alasca. Também foram feitas simulações relacionando emissões atmosféricas, transporte e deposição de mercúrio em um modelo de circulação oceânica.
De acordo com Elsie Sunderland, da Harvard University, co-autora do estudo, nos Estados Unidos, cerca de 40% da contaminação por mercúrio decorre do atum pescado no oceano Pacífico. Como mulheres grávidas, que consomem esses peixes podem transmitir os efeitos da contaminação para seus filhos, a EPA e a Agência de Fármacos e Alimentos (FDA, na sigla em inglês) elaborou um guia de consumo de peixe para gestantes e mães que estão amamentando.Os resultados desse estudo foram publicados em 1º de maio na Global Biogeochemical Cycles. Entre os autores, além de Krabbenhoft e Sunderland estão John Moreau, da University of Melbourne, Austrália, William Landing da Florida State University e Sarah Strode da Harvard University.


terça-feira, 5 de maio de 2009

Paraná luta para banir produtos com amianto de seu território


O amianto – ou asbesto - é um minério utilizado na fabricação de produtos como telhas, caixas-d'água, pisos, cloro e pastilhas de freio. Desde 1996, tramita no Congresso Nacional um Projeto de Lei propondo a proibição de sua variedade crisotila no país. Os outros tipos de amianto, ainda mais tóxicos, já foram proibidos em todo o mundo, inclusive no Brasil.Visto como um problema de saúde pública, entre as doenças relacionadas ao amianto estão a asbestose (doença crônica pulmonar de origem ocupacional), cânceres de pulmão e do trato gastrointestinal e o mesotelioma, tumor maligno raro que pode atingir tanto a pleura como o peritônio e tem um período de latência em torno de 30 anos.
A professora Vanda D´Acri, da Fundação Oswaldo Cruz, no Rio de Janeiro, integra uma equipe de pesquisadores que, desde 1986, estuda casos de asbestose e câncer associados ao amianto naquele Estado. Atualmente são atendidas 300 pessoas. Já foram confirmados 40 casos de asbestose e oito óbitos.Disse a pesquisadora em reportagem do AOL Notícias que “o amianto é cancerígeno em qualquer medida”. Ela questiona o argumento de que medidas protetivas aos trabalhadores eliminam o risco à saúde: “As doenças levam um longo tempo para se manifestar, de 15 a 30 anos. Por isso não é possível afirmar, hoje, que o processo de trabalho seja seguro”.Dados do Centro de Estudos da Saúde do Trabalhador e Ecologia Humana da mesma Fiocruz indicam que 2.414 pessoas morreram no país por mesotelioma (tumor maligno da pleura, camada de revestimento do pulmão) de 1980 a 2003. Ainda assim, estima-se que um milhão de trabalhadores continuem expostos aos riscos do material.
Por essas razões, o amianto já foi proibido em 48 países, além dos 25 estados membros da União Européia. No Brasil, entretanto, a Comissão Especial criada para analisar o Projeto de Lei apresentou um substitutivo em que libera “o uso controlado” da variedade crisotila e proíbe todas as matérias-primas alternativas a ela.Medidas pontuais - Diante das dificuldades para o andamento da Lei Federal, alguns Estados e Municípios deliberaram pela proibição do uso do amianto em seus territórios. Rio de Janeiro, Rio Grande do Sul, São Paulo e Pernambuco, por exemplo, baniram o minério. No Paraná – único estado do Sul do país a ainda permitir fabricação de produtos com amianto -, o deputado estadual Luiz Eduardo Cheida (PMDB), médico e presidente da Comissão de Ecologia e Meio Ambiente da Assembléia Legislativa, trabalha para ver aprovado um projeto de lei de sua autoria, de 2007, proibindo o minério.
O PL foi rejeitado pela Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) da Casa, que, apesar de considerá-lo legal, entendeu que o tema necessitava ser melhor debatido com a população. “É o que iremos fazer neste mês de maio, com audiências públicas no estado e tudo o que temos direito”, antecipa o deputado Cheida.Na segunda-feira 27, ele discorreu sobre o amianto e seus riscos na abertura da 1ª Semana Estadual de Segurança e Saúde no Trabalho em Memória das Vitimas de Acidentes e Doenças Relacionadas ao Trabalho, realizada até a quinta-feira seguinte em Curitiba. Após sua fala, Cheida recebeu apoio de promotores públicos, médicos e lideranças ambientais e de organizações não-governamentais a seu projeto. Entre as ONGs a se manifestarem pela aprovação, estava a Associação Brasileira das Vítimas do Amianto e de Trabalhadores na Indústria de Amianto.


segunda-feira, 4 de maio de 2009

Indústria do Paraná fará levantamento de emissão de gases do efeito estufa


As indústrias do Paraná saberão, dentro de um ano, a quantidade de gases causadores de efeito estufa (GEE) lançados na atmosfera durante seus processos. Essa é a meta do setor industrial para contribuir com o inventário estadual de emissões de gases de efeito estufa, organizado pelo Fórum Paranaense de Mudanças Climáticas, que levantará as emissões de gases de todos os setores.O compromisso foi assumido pelo Conselho Temático de Meio Ambiente e Recursos Naturais da Federação das Indústrias do Estado do Paraná (Fiep) e empresários de diversos setores nesta terça-feira (28/04), em Curitiba, durante o workshop "Inventário de Emissões de GEE", promovido pelo Conselho.
"Esse é um passo importante que os industriais do Paraná dão para colaborar com o meio ambiente. Temos que continuar produzindo. A indústria não pode parar. Mas temos que produzir de forma sustentável e ambientalmente correta", afirmou Roberto Gava, coordenador do Conselho de Meio Ambiente da Fiep.A Fiep coordenará o inventário no setor industrial. As informações serão repassadas ao Fórum Estadual de Mudanças Climáticas, do qual o Conselho da Fiep faz parte. "Com o inventário, a empresa irá conhecer melhor seus impactos e com isto melhor desenhar uma estratégia de redução e compensação. Outros ganhos ambientais também podem ocorrer, tais como redução do consumo de matérias-primas e eficientização energética, entre outros", explicou Gava. Os dados paranaenses serão levados ao Fórum Nacional, responsável por criar políticas públicas para diminuir as emissões.
Segundo a coordenadora do Fórum Estadual de Mudanças Climáticas, Manyu Chang, as discussões acerca do inventário estadual começaram em 2007. "Contamos com a colaboração dos responsáveis pelas fontes das emissões para traçar o perfil das emissões no Paraná. Temos que buscar os fatores na fonte certa, uma vez que as políticas do Estado vão se basear nos dados do inventário", afirmou Manyu, lembrando que os GEE são provenientes de quatro fontes: energia, processos industriais, tratamento de resíduos e agropecuária.
O Paraná será o terceiro estado a realizar o inventário estadual. O primeiro foi o Rio de Janeiro, em 2007, seguido de Minas Gerais, em 2008. "Seguimos a metodologia do Painel Intergovernamental de Mudanças Climáticas (IPCC), mas com algumas adaptações à realidade brasileira. Tivemos dificuldades, mas os resultados foram satisfatórios. Agora temos, por exemplo, referências setoriais, ou seja, sabemos a quantidade de emissões e quais gases são liberados pelos três grandes grupos de processos industriais: indústria mineral, química e metalúrgica", disse Luiz Gonzaga Rezende, analista de ciência e tecnologia da Fundação Estadual do Meio Ambiente (Feam), de Minas Gerais. Rezende foi um dos responsáveis pela realização do inventário de gases em Minas Gerais.
Experiências - Durante o workshop, empresas mostraram quais dificuldades em realizar o inventário e os resultados obtidos. Uma delas foi a Petrobras, que desde 2002, elabora um relatório com dados sobre as emissões atmosféricas da empresa. Além dos gases do efeito estufa (dióxido de carbono, metano e óxido nitroso), também são levantadas as emissões de poluentes locais, como monóxido de carbono, óxidos de enxofre, nitrogênio, compostos orgânicos voláteis e material particulado, além dos gases queimados e consumo de combustível.
A empresa, segundo Rodrigo Chaves, coordenador do setor de Emissões Atmosféricas e Mudanças Climáticas da Petrobras, desenvolveu um sistema com módulo de simulação e dados reais, que consolida emissões desde o nível de fonte emissora em cada instalação e permite agregar dados em diversos níveis organizacionais, passando por unidades e áreas de negócio até a companhia como um todo.
"Com as informações, pudemos gerenciar as emissões e atender à legislação, avaliar o desempenho ambiental da empresa e contribuir para a ecoeficiência dos processos, utilizando matérias-primas menos poluentes, além de verificar novas oportunidades no mercado de carbono", disse.De acordo com Patrícia Monteiro, da Votorantin, a produção de cimento é a principal fonte de emissão de gás carbônico. "A média mundial é a emissão de 900kg de CO2 por tonelada de cimento produzido; na Votorantin, a média é de 600kg/ton. Nossa meta é chegar a 400kg por tonelada produzida", disse.
Para alcançar esses índices, a empresa investe em estratégias de redução de poluentes, substituindo parte dos recursos naturais por combustíveis alternativos. "Na região sul, utilizamos cinzas provenientes de termoelétricas, biomassa proveniente da casca do arroz e combustíveis alternativos, como pneus", explicou Patrícia.


domingo, 3 de maio de 2009

Ecoarquitetura:Estudante de arquitetura Inglês propõe construção de muro verde para parar crescimento do deserto do Saara

Magnus Larsson, um estudante da associação arquitetônica de Londres, propôs uma solução interessante para parar o crescimento em curso do deserto do Saara. O novo pesquisador quer usar a bactéria, bacilo pasteurii, para transformar muito rapidamente a areia em estruturas firmes de pedra de areia. Larsson propôs uma parede de 6,000km que fosse construída da areia usando a bactéria.

Uma vez que a parede é construída, poderia ser usada para abrigar uma sorte de oásis longos de água ou de vegetação.Vegetais crescendo no deserto de Saara parece ser engraçado, mas Larsson espera que a bactéria microscópica é proficiente o bastante para conseguir o inesperado. A proposta ganhou o primeiro prêmio nas concessões da fundação de Holcim para a construção sustentável realizada em Marraquexe, Marrocos. Se tal tecnologia aprovar, ela poderá ser utilizada no Brasil para resolver alguns problemas de desertificação encontrados aqui