segunda-feira, 8 de dezembro de 2008

Peixes ensinam como gerar eletricidade em águas calmas

Conceito artístico de uma série de equipamentos
Vivace instalados no fundo de um rio ou do mar.
[Imagem: Omar Jamil]
Quase toda a energia elétrica produzida no Brasil vem das hidroelétricas, que usam o desnível naturalmente encontrado em regiões de quedas d'água, usando a energia cinética da água represada para girar as turbinas que produzem a eletricidade.Agora, cientistas da Universidade de Michigan, nos Estados Unidos, descobriram uma nova tecnologia para gerar eletricidade a partir de correntes de água que se movem lentamente, como os rios em regiões sem cachoeiras ou mesmo o movimento dos oceanos.

Energia de águas calmas

O equipamento, batizado de Vivace, é capaz de gerar eletricidade utilizando cursos de água que se movimentam a pouco mais de 3 km/h (2 nós). Isso transformaria praticamente todos os rios do planeta em fontes exploráveis para a geração de energia.Vivace é uma sigla para Vortex Induced Vibrations for Aquatic Clean Energy. A idéia nasceu da observação dos peixes e de como eles lidam com as turbulências para se movimentar de forma eficiente. Essa nova forma de exploração da energia hidrocinética não depende de ondas, marés, turbinas e nem represas - apenas das vibrações induzidas pelos redemoinhos.

Vibrações induzidas por vórtices

Vibrações induzidas por vórtices são ondulações que um objeto redondo ou cilíndrico induz no fluxo de um fluido, seja a água ou o ar. A presença do objeto induz mudanças no fluxo do fluido, criando redemoinhos, ou vórtices, que se formam em um padrão nos lados opostos do objeto. Os vórtices empurram e puxam o objeto para a direita e para a esquerda, perpendicularmente à corrente."Nos últimos 25 anos, os engenheiros - eu inclusive - vínhamos tentando suprimir essas vibrações induzidas pelos vórtices. Mas agora nós estamos fazendo o oposto. Nós melhoramos as vibrações e domamos essa poderosa e destrutiva força da natureza," conta o Dr. Michael Bernitsas.

Inspirado nos peixes

Os peixes fazem isso o tempo todo, usando as forças dos vórtices para se mover de forma eficiente."O Vivace copia alguns aspectos da tecnologia dos peixes," diz Bernitsas. "Os peixes curvam seus corpos para deslizar entre os vórtices criados à sua frente. Apenas seus músculos não poderiam impulsioná-los através da água na velocidade em que nadam," explica ele.
O protótipo mostra a simplicidade do projeto e dá a entender que a adoção do princípio na prática pode ser bastante simples. O aparelho consiste unicamente de um cilindro ligado a algumas molas. Os testes foram feitos em um tanque no qual a água flui a 1,5 nó.A simples presença do Vivace na corrente de água cria vórtices alternados acima e abaixo dele. Os vórtices empurram e puxam o cilindro para cima e para baixo ao longo de suas molas. Esta energia mecânica é utilizada para acionar um gerador, que produz a eletricidade.

Necessidades de energia do mundo

"Não há uma solução única para as necessidades de energia do mundo. Mas se nós usarmos apenas 0,1 por cento da energia dos oceanos, nós poderemos produzir a energia necessária para uma população de 15 bilhões de pessoas," diz o engenheiro.
Segundo seus cálculos, a energia dos vórtices poderá ser gerada em larga escala a um custo de US$0,055 por kilowatt/hora (kW/h). A energia eólica hoje custa US$0,069 por kW/h e a energia nuclear ao redor de US$0,046. Dependendo do local onde é produzida, a energia solar fica entre US$0,16 e US$0,48 kW/h.Os pesquisadores planejam fazer o primeiro teste da nova tecnologia em escala piloto em 18 meses.

Fonte:Redação do Site Inovação Tecnológica

domingo, 7 de dezembro de 2008

ONGs criticam proposta de ministério e deixam negociação sobre Código Florestal

Nove organizações não-governamentais ambientalistas se retiraram da negociação sobre mudanças no Código Florestal, que vinham sendo discutidas com os Ministérios da Agricultura e do Meio Ambiente e parlamentares. O motivo da discórdia, segundo as ONGs, foi uma proposta apresentada pelo ministro da Agricultura, Reinholds Stephanes, que reduz drasticamente a proteção das áreas de conservação em nome do agronegócio.
O pacote, que teria sido acordado com a Frente Parlamentar da Agricultura e apresentado esta semana, propõe “anistia” para propriedades irregulares em áreas de preservação ocupadas até 31 de julho de 2007, a redução da área de reserva legal (percentual de floresta que deve permanecer intacto em imóveis rurais) e a possibilidade de recomposição da mata nativa com espécies exóticas, como o dendê, entre outros.Na avaliação das organizações ambientalistas, entre elas o WWF, o Greenpeace, o Instituto Socioambiental (ISA) e a TNC, a proposta é “uma verdadeira bomba-relógio” para a biodiversidade.
“Não é possível discutir e negociar com um ministério que, em detrimento do interesse público, se preocupa apenas em buscar anistias para particulares inadimplentes. O processo de negociação deve ser vinculado à obtenção do desmatamento zero”, afirmam as ONGs em manifesto.
Em nota, o Ministério da Agricultura negou que tenha pleiteado anistia para os desmatadores. “Esse tema não consta na pauta de discussão do grupo de trabalho”. No comunicado, a pasta informa que “defende o desmatamento zero”, mas pede mais flexibilidade nas discussões.
“A defesa ambiental exige uma posição protecionista mais rígida. Isso não pode impedir, porém, que sejam ignoradas as áreas agrícolas consolidadas, sem encontrar formas de flexibilização do uso do solo”, de acordo com a nota.O grupo de trabalho deve se reunir na próxima semana para mais uma etapa de negociação, dessa vez sem os representantes da sociedade civil. Quaisquer que sejam as mudanças sugeridas, o texto precisa passar por votação no Congresso Nacional.

Fonte: Luana Lourenço Repórter da Agência Brasil

sábado, 6 de dezembro de 2008

Biocombustível brasileiro pode substituir 10% da gasolina mundial

O Brasil tem condições de produzir biocombustível suficiente para substituir pelo menos 10% de toda a gasolina consumida mundialmente. Mas, para que isso ocorra, a tecnologia tem que estar no campo e na própria planta, a cana-de-açúcar.Essa foi uma das conclusões do Workshop Instrumentação e Automação Agrícola e Agroindustrial na Cadeia Cana-Etanol, realizado na Embrapa Instrumentação Agropecuária, em São Carlos, interior de São Paulo.

Novas tecnologias no campo

Para atingir a meta dos 10% da gasolina mundial, o país precisaria cultivar cerca de 35 milhões de hectares de cana-de-açúcar."Mas, com a introdução das novas tecnologias no campo, seja em instrumentação e automação agrícola ou na pesquisa genômica da cana-de-açúcar, esse número poderá cair para 20 milhões de hectares ou menos. Por isso, é fundamental identificar as principais necessidades de pesquisa para que possamos nos consolidar como o maior produtor mundial de etanol", disse Luís Augusto Barbosa Cortez, professor da Faculdade de Engenharia Agrícola da Universidade Estadual de Campinas.Os Estados Unidos são atualmente o maior produtor mundial de etanol, com o combustível produzido a partir do milho. O Brasil ocupa a segunda posição, com o álcool combustível derivado da cana-de-açúcar.

Ciência e agricultura

"Neste momento, em que o mundo discute o forte potencial das energias renováveis, a agricultura e a ciência brasileira estão juntas, assim como também vem acontecendo com os setores público e privado, contribuindo para o desenvolvimento do país. A agricultura não vai avançar se não tiver a ciência ao seu lado", disse Silvio Crestana, presidente da Embrapa, na abertura do workshop.Para Crestana, a cana tem um forte potencial de ser reconhecida como uma importante fonte de energia. A planta é composta por três partes: a sacarose, a palha e o bagaço, sendo um terço para cada uma. A primeiro já tem um número grande de utilização, o que não acontece com as outras duas partes. "Trabalhar o conceito de cana-energia é o grande desafio da ciência hoje", ressalta o presidente da Embrapa.

Pesquisas em cana-de-açúcar

Mas não é só isso. "Também é necessário definir estratégias para alavancar o setor", defendeu Orlando Castro, coordenador da Agência Paulista de Tecnologia dos Agronegócios (APTA). Entre elas ele sugere a criação de novos institutos dedicados à pesquisa em cana-de-açúcar.
Entretanto, o Brasil lidera com folga quando se trata do números de artigos científicos publicados referentes às pesquisas com cana-de-açúcar. Considerando apenas o Estado de São Paulo, ele disputa a segunda colocação com os Estados Unidos.

Etanol da biomassa

Entretanto, o Brasil amarga uma terceira posição quando se trata de artigos científicos relacionados ao etanol extraído da biomassa e fora do grupo dos três primeiros quando o assunto é pesquisas de etanol de segunda geração (em ambos os casos os Estados Unidos lideram). Não é a toa que os setores público e privado vêm se esforçando em ações conjuntas quando o assunto é biocombustível. "É o conhecimento científico que vai estimular políticas públicas e o investimento de recursos", afirmou Castro.

Fonte:Agência Fapesp

sexta-feira, 5 de dezembro de 2008

Projeto obriga empresas a recolher PET

Texto da deputada estadual Rita Passos altera prática vigente, em que município é responsável por reciclagem Um projeto de lei em análise na Comissão de Meio Ambiente da Assembléia Legislativa de São Paulo propõe que a responsabilidade pela destinação correta das garrafas PET usadas não seja do consumidor nem do poder público, mas de quem as produz e distribui. O PL 436/2008, de autoria da deputada estadual Rita Passos (PV), determina que “as empresas produtoras, distribuidoras e envasadoras de garrafas PET (fabricadas com tereftalato de polietileno) ou plásticas em geral ficam obrigadas a criar e manter programas de reciclagem, reutilização ou reaproveitamento”. Quem não cumprir pode pagar multa. “Não podemos esperar apenas do poder público a destinação correta desse produto”, diz a deputada. “É preciso que todo mundo tenha responsabilidade.” A reciclagem de novas embalagens de PET no Brasil em 2007 foi de 53,5%, ou 231 toneladas, um crescimento de 19,1% ante 2006, de acordo com a Associação Brasileira da Indústria do PET (Abipet). Mas elas só representam entre 1% e 2% de todos os resíduos sólidos urbanos produzidos no período. O texto em discussão é uma inversão da prática vigente no Brasil, em que os municípios são os responsáveis pelo material. Para Rita, as empresas deveriam ter a obrigação de criar e manter programas de coleta do material e envio para reciclagem. Para isso, elas poderiam, por exemplo, fechar parcerias com associações de catadores para ampliar sua atuação. Os catadores são uma das principais forças por trás da coleta e destinação correta de resíduos passíveis de reaproveitamento. Só no município de São Paulo há 45 mil catadores de lixo e mais de 150 cooperativas. “É barato montar uma logística de recolhimento, com cada um fazendo um pouco”, afirma a deputada. Não é a opinião de quem produz embalagens de PET. Para Hermes Contesini, da Abipet, responsável pelas relações com o mercado, a logística seria sim complexa demais. Além disso, o custo seria repassado ao consumidor. “A empresa vai buscar que o processo seja o menos caro possível (para ela)”, diz. Contesini também rebate o princípio da responsabilização aplicado no PL e em outras iniciativas do gênero. “São centenas de projetos que falam de embalagens e de quem as produz. Mas todos se esquecem que o dono do produto é o consumidor”, comenta. “Precisamos incentivar a educação ambiental, para que o descarte seja feito de maneira mais consciente. Como uma empresa pode se responsabilizar por uma embalagem jogada pela janela no rio?” O gestor ambiental Jetro Menezes, ex-coordenador do Programa de Coleta Seletiva da Prefeitura de São Paulo, também é contrário ao PL. Ele dá uma solução alternativa: “Sou contra a embalagem plástica para garrafas. Devíamos pensar em PLs para retornar o vasilhame de vidro, o retornável”, defende. “Quando tratamos de coleta seletiva, a nossa preocupação primeira é a redução de resíduos. Portanto, obrigar os fabricantes a dar um destino não pressupõe que isso vai diminuir o volume.”


fonte: www.estado.com.br