
“Comida na minha casa não estraga, por causa dos meus quatro filhos. Eles comem bastante. Então, finda fica faltando ainda”, diz a desempregada.O catador Paulo Roberto Silva quase sempre encontra carne congelada no lixo: “O povo joga fora. Passou um pouco, aí não quer comer. É assim mesmo. O mundo está assim mesmo”.Por ano, 26 milhões de toneladas de alimentos são jogadas no lixo, em um país em que a miséria produz dados alarmantes. Segundo o IBGE, são 14 milhões de brasileiros que não têm o que comer. A fome é maior entre as famílias que têm crianças pequenas.
Ainda de acordo com o IBGE, 58 milhões de pessoas vivem em um estado de insegurança alimentar, quando falta alimento no prato e a pessoa não consegue fazer todas as refeições. Para evitar que cenas como essas voltem a se repetir, a Ceagesp criou um banco de alimentos. Empresários recolhem as sobras que depois são doadas a associações e entidades.“Tem uma equipe operacional e técnica que faz uma pré-seleção. Nem tudo que chega pode ser doado também. Tem alimentos que deveriam ir para o lixo, mas temos um trabalho de compostagem”, comenta a coordenador de sustentabilidade/ Ceagesp Andréia Mendonça Oliveira.O desperdício começa dentro de casa. Um terço dos alimentos saem da geladeira e do armário direto para o lixo. É alimento com o prazo de validade vencido, fruta e verdura estragada. Quem nunca cometeu esse pecado?“Lá em casa, por exemplo, compro bastante banana, e criança acaba não comendo, e estraga”, diz uma dona-de-casa.
“Do almoço que a gente fez hoje, se sobrar, a gente janta à noite. No outro dia, se sobrar vai para o lixo”, comenta uma paulista.A dona-de-casa Luciana Sanchez guarda tudo em pote de plástico. Depois da chegada do terceiro filho, a conta do supermercado ficou cara demais para a família: “Sempre quando meu marido vai no supermercado, peço para comprar em quantidade pequena e produtos pequenos, para não ter sobra”. Se decidir fazer uma aplicação financeira de tudo o que economizar com o desperdício de alimentos, Luciana pode chegar aos 70 anos com R$ 800 mil.“Importante que as pessoas tenham a consciência de que o desperdício de alimentos tem impacto sobre ela, sobre a economia, sobre a sociedade, sobre o meio ambiente.
Se elas tiverem essa consciência, as pessoas irão mudar seu comportamento”disse, o presidente do Instituto Akatu Hélio Mattar .Para o consultor da ONU em reciclagem, não são só os consumidores que devem se responsabilizar. Os governos podem desenvolver ações específicas para reduzir o desperdício. “O desperdício ocorre em grande parte porque não temos uma legislação que torne responsáveis pelo destino final daquilo que produzem os efetivos geradores dos produtos. O governo pode atuar na minimização do desperdício através de planejamento, através de regulamentação e difusão de informação e educação”, sugere o economista Sabetai Calderoni.Segundo uma pesquisa da Fundação Getúlio Vargas, desde a plantação até a casa do consumidor, o desperdício chega a 30% da produção de grãos, 35% das frutas e metade das hortaliças.Os motivos são variados: condições ruins das estradas, armazenamento precário nas centrais de distribuição, exagero do consumidor na hora de comprar.
Fonte: Globo - Bom dia Brasil -
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